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Copom reduz Selic para 14,5%, 2ª maior taxa real de juros do mundo

Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50%; Brasil mantém o segundo maior juro real do mundo, com taxa de 9,33%

Prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

247 - O Brasil mantém o segundo maior juro real do mundo, com taxa de 9,33%, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50%, nesta quarta-feira (29). Mesmo com a leve queda em relação ao mês anterior, o país continua entre os líderes globais, refletindo o impacto da inflação mais elevada.

Segundo levantamento elaborado pelo economista-chefe Jason Vieira, da MoneYou e Lev Intelligence, divulgado pelo InfoMoney, o Brasil aparece atrás apenas da Rússia, que lidera o ranking com 9,67%. O país também permanece à frente de economias como México (5,09%) e África do Sul (4,62%).

Evolução recente dos juros reais

A taxa de juro real brasileira apresentou variações ao longo dos últimos meses. Em março, estava em 9,51%, enquanto em janeiro era de 9,23% e, em dezembro, de 9,44%. A recente redução está associada ao avanço das projeções inflacionárias.

O cálculo leva em consideração a taxa DI de mercado para os próximos 12 meses combinada com a expectativa de inflação de 4,34%, conforme o Boletim Focus do Banco Central. Mesmo com a decisão do Copom, modelos indicavam que a posição do Brasil no ranking não seria alterada, independentemente de um corte maior ou da manutenção da taxa.

Juros nominais também figuram entre os maiores

Sem o desconto da inflação, o Brasil também se destaca entre os países com maiores juros nominais do mundo. Com taxa de 14,50%, o país aparece empatado com a Rússia entre a terceira e a quarta posições. O ranking é liderado pela Turquia, com 37,00%, seguida pela Argentina, com 29,00%. A Colômbia ocupa a quinta colocação, com 11,25%.

Cenário internacional pressiona decisões

O contexto global influenciou diretamente o comportamento das taxas. De acordo com a análise de Vieira, o conflito entre Irã e Estados Unidos alterou as projeções de inflação para os próximos 12 meses, pressionando os preços em diversos países.

Esse ambiente levou à revisão das expectativas inflacionárias e exigiu maior cautela das autoridades monetárias. Como resultado, a maioria dos países optou por manter suas taxas de juros. Entre 164 economias analisadas, 84,15% mantiveram os juros, enquanto 4,88% elevaram e 10,98% reduziram. No grupo dos 40 países do ranking, 85% decidiram não alterar suas taxas.

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