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“Desenrola vai permitir que as contas caibam no bolso das pessoas”, diz Durigan

Programa renegocia dívidas com juros limitados e foco em famílias de baixa renda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do programa Bom Dia, Ministro (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (6) que o programa não deve ser interpretado como incentivo ao calote. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, ele sustentou que a iniciativa tem como objetivo reorganizar o orçamento doméstico de brasileiros endividados. “É importante a gente esclarecer isso. As pessoas precisam pagar as suas contas. O que o Desenrola vai fazer é permitir que a conta caiba no bolso”, disse.

Endividamento pós-pandemia

Durigan associou a necessidade de uma nova etapa do programa ao impacto econômico acumulado nos anos anteriores ao atual governo, especialmente no período da pandemia. Segundo o ministro, muitas famílias recorreram ao endividamento para cobrir despesas básicas em um cenário de desemprego elevado, renda comprimida e dificuldades de trabalho.

“Nós vivemos no país um período duro, principalmente por volta da pandemia, em que a gente teve desemprego alto, a renda das famílias não aumentou, o salário mínimo não foi reajustado e, sem as pessoas poderem trabalhar, naturalmente fizeram dívidas para as necessidades básicas”, afirmou.

De acordo com o ministro, quando o presidente Lula assumiu, em 2023, o governo identificou um quadro de endividamento elevado e lançou a primeira fase do Desenrola para tratar dívidas mais antigas, que já vinham se acumulando e restringindo a vida financeira de pessoas negativadas.

“Então foi feito o primeiro Desenrola e começou a cair a taxa de juros no país em agosto de 2023. Existia uma expectativa, não só nossa do governo, mas do mercado como um todo, de que essa taxa de juros seguisse caindo em 2024”, declarou Durigan.

Nova fase do programa

O ministro disse que a evolução do cenário internacional frustrou parte das expectativas em relação à trajetória dos juros. Ele citou a manutenção de taxas elevadas nos Estados Unidos e no Brasil como fatores que contribuíram para que o endividamento das famílias não recuasse no ritmo esperado entre 2024 e 2025.

“Em 2024, teve uma reviravolta no mundo. Os Estados Unidos mantiveram os juros altos. O Brasil, também. E a gente viu que de 2024 a 2025 esse endividamento, que começou a ser endereçado com o Desenrola 1, não cedeu como a gente esperava. Então, a gente volta agora com um novo Desenrola para poder terminar esse processo. Ele faz parte de uma lógica: a gente começou a lidar com endividamento pós-pandemia, pré-governo Lula e, agora, nós vamos terminar esse processo”, explicou.

Como funcionará o Desenrola Famílias

A principal frente do novo programa será o Desenrola Famílias, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos ou R$ 8.105. A modalidade permitirá a renegociação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 por meio de um novo crédito, com taxa de juros limitada a 1,99% ao mês.

Poderão ser incluídas dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. O programa contemplará operações de crédito pessoal não consignado, cartão de crédito e cheque especial.

A iniciativa também prevê que instituições bancárias destinem à educação financeira um valor equivalente a 1% das garantias do programa. A medida busca associar a renegociação das dívidas a ações de orientação para melhorar a organização financeira das famílias.

Durigan afirmou que não há expectativa de criação de um Desenrola 3. Por isso, defendeu que as pessoas inadimplentes aproveitem a nova etapa para renegociar seus débitos.

“Quanto mais gente inadimplente, mais pagamento cruzado de quem tem que pagar. Nós estamos diminuindo a inadimplência para que esses juros voltem a ficar em um patamar mais razoável. É um esforço nacional, ligado ao primeiro Desenrola, que não se repetirá, é importante dizer isso”, concluiu.

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