Dólar alcança menor patamar em 2 anos e bolsa volta a bater novo recorde
Moeda estadunidense fechou a semana com queda de 1,03%, cotada a R$ 5,010, e o Ibovespa avançou 1,12%, fechando aos 197.323 pontos
247 - O dólar caiu e voltou a se aproximar de R$ 5 nesta sexta-feira (10), atingindo o menor patamar em cerca de dois anos, enquanto a Bolsa brasileira renovou seu recorde histórico pela terceira vez consecutiva. O movimento foi impulsionado pela trégua no Oriente Médio e por dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, que influenciaram diretamente o comportamento dos mercados globais.
De acordo com a Folha de São Paulo, a moeda estadunidense encerrou a semana com queda de 1,03%, cotada a R$ 5,010, após atingir mínima de R$ 5,005 no dia. O Ibovespa avançou 1,12%, fechando aos 197.323 pontos, com máxima intradiária de 197.553 pontos.
Alívio geopolítico impulsiona mercados
A melhora no cenário internacional foi determinante para o desempenho dos ativos. Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu a percepção de risco global. “Reduziu o prêmio de risco global e enfraqueceu a demanda por proteção”, afirmou.
Com menor busca por segurança, investidores migraram para ativos mais arriscados, pressionando o dólar. O índice DXY, que mede a força da moeda estadunidense frente a outras divisas, caiu 0,2%, refletindo a fraqueza global da moeda.
Petróleo e negociações influenciam cenário
A reabertura parcial do estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás, também contribuiu para o otimismo. Navios ligados ao Irã voltaram a circular pela região após o cessar-fogo, enquanto negociações para normalização seguem em andamento.
Representantes dos EUA e do Irã devem iniciar conversas diretas neste sábado (11), no Paquistão. Para Bruno Cordeiro, especialista da Stonex, o avanço dessas tratativas pode pressionar os preços da energia. “Caso haja avanço nas conversas, é provável que se observe uma extensão das quedas nos preços do petróleo”, disse.
Ele alerta, porém, para riscos em caso de fracasso. “Uma frustração nas negociações pode resultar em novas altas no petróleo e derivados”, ressaltou.
Tensões no Oriente Médio seguem no radar
O cenário geopolítico ainda envolve outras frentes. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou negociações com o Líbano. “À luz dos repetidos pedidos do Líbano, eu instruí o gabinete ontem a começar negociações diretas o mais rapidamente possível. Elas vão focar em desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas entre Israel e o Líbano”, declarou.
Segundo John Kilduff, da Again Capital, esse contexto trouxe “um novo suspiro de alívio nos mercados por enquanto, ainda que moderado”.
Bolsas globais acompanham movimento
O ambiente positivo se refletiu em outros mercados. Bolsas asiáticas e europeias fecharam em alta, enquanto Wall Street apresentou desempenho misto, influenciado por dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,9% no mês, o maior avanço em quase quatro anos, pressionado pelo petróleo. Em 12 meses, a inflação chegou a 3,3%.
Por outro lado, o núcleo do índice apresentou desaceleração. “A leitura sugere que a inflação núcleo está desacelerando”, afirmou Nickolas Lobo, da Nomad, indicando possível espaço para cortes graduais de juros pelo Federal Reserve.
Inflação no Brasil também acelera
No Brasil, o IPCA avançou 0,88% em março, após alta de 0,70% em fevereiro, segundo o IBGE. Os grupos de transportes e alimentação foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária.
Para André Valério, economista do Inter, o cenário externo teve influência direta. “A leitura de março foi amplamente impactada pelos impactos globais do conflito no Irã”, explicou.
Apesar da volatilidade, a expectativa é de continuidade no ciclo de cortes de juros no país, ainda que de forma moderada, sustentada pelo comportamento do câmbio e pelo atual nível de aperto monetário.


