Dos 800 mil credores do Master, 600 mil já pediram ressarcimento a Fundo Garantidor de Crédito
Pagamentos do fundo começaram e pedidos concluídos já entram na fila de indenização
247 - O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já recebeu cerca de 600 mil solicitações de ressarcimento de um total estimado de 800 mil credores do Banco Master que têm direito à cobertura. Os pagamentos tiveram início nesta semana, em parcela única, para investidores que aplicaram em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição, respeitando o limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por banco.As informações foram divulgadas pelo G1, que acompanha o processo de liquidação do Banco Master e o cronograma de pagamentos do FGC. Segundo o fundo, aproximadamente 400 mil credores já concluíram todo o procedimento exigido, incluindo a validação de identidade, e estão aptos a receber os valores garantidos.
De acordo com o FGC, o aplicativo disponibilizado para o atendimento funciona normalmente e processa, em média, 11,8 mil pedidos por hora — cerca de três solicitações por segundo. Em momentos de maior demanda, no entanto, o sistema pode apresentar lentidão temporária devido ao volume elevado de acessos simultâneos. “Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão”, informou a instituição.
Dos pedidos já registrados, cerca de 400 mil passaram por todas as etapas de análise e validação e entraram na fila de pagamento. O FGC destaca que, por exigências de segurança e prevenção a fraudes, alguns casos podem ser submetidos a verificações adicionais, o que prolonga o prazo de liberação dos recursos. Após a confirmação do pagamento, o credor recebe uma cópia do documento assinado e pode acompanhar o andamento do processo diretamente pelo aplicativo.
O montante total a ser desembolsado em garantias soma R$ 40,6 bilhões, valor inferior à estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões. A revisão acompanha a redução do número de credores, que caiu de uma projeção inicial de 1,6 milhão para cerca de 800 mil. Segundo o FGC, o fundo possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025, suficiente para honrar os pagamentos.
O FGC também reforçou o alerta para tentativas de golpe envolvendo o pagamento das garantias. “O FGC não cobra nenhum tipo de taxa, não antecipa pagamentos, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por WhatsApp ou SMS”, informou a instituição. O presidente do fundo, Daniel Lima, destacou a necessidade de atenção redobrada dos credores: “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”.
Têm direito à cobertura do FGC aplicações como CDBs e RDBs, Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, respeitando o teto. Valores que excedem esse limite entram na fila do processo de liquidação do banco. Produtos como debêntures, CRIs, CRAs, fundos de investimento e títulos fora do sistema de proteção não são cobertos.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025.

