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Renan Calheiros afirma que Motta e Lira pressionaram TCU no caso Banco Master

Senador diz ter recebido informações sobre atuação de Hugo Motta e Arthur Lira para reverter liquidação e critica decisões e demora do Banco Central

Renan Calheiros (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

247 - O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta segunda-feira (19) ter recebido informações indicando que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) pressionaram integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) no processo que envolve a liquidação do banco Master. Segundo o senador, a atuação teria como objetivo reverter a decisão de liquidação da instituição financeira.

As declarações foram dadas em entrevista à GloboNews e tiveram como base informações que, segundo Renan, chegaram até ele sobre a conduta de integrantes da cúpula da Câmara. A notícia foi publicada originalmente pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do mercado financeiro.

Durante a entrevista, Renan afirmou: “Estou tendo informações de que o atual presidente da Câmara dos Deputados e o ex-presidente da Câmara dos Deputados pressionaram e continuam pressionando o Tribunal de Contas da União, aliás, um setor do Tribunal de Contas da União, para que o Tribunal liquide a liquidação”. O senador não detalhou de que forma essa suposta pressão teria ocorrido.

Questionado diretamente se se referia a Hugo Motta e Arthur Lira, Renan confirmou: “Exatamente, são as informações que eu recebi, não apenas daquele procedimento, mas de vários procedimentos outros que o Tribunal de Contas da União tornou sigilosos, que têm a mesma origem, a mesma pressão, do presidente Hugo Motta e do ex-presidente da Câmara”.

Renan Calheiros também comentou decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli relacionadas ao caso do banco Master. Segundo ele, a condução do processo causou estranhamento. “Não somos nós, do Legislativo, que vamos colocar limites no ministro Dias Toffoli, mas foi estranha a maneira como ele se apropriou da investigação e muito estranha a maneira em que ele transferiu o sigilo apurado nas investigações para o presidente do Senado”, declarou.

Outro alvo das críticas do senador foi o Banco Central. Para Renan, houve demora injustificada na atuação do órgão regulador. “Temos que cobrar responsabilidade do Galípolo e do Banco Central e saber por que é que eles demoraram tanto a fazer a liquidação do banco Master”, afirmou. Segundo ele, a autarquia permaneceu de “braços cruzados” diante da situação.

No âmbito do Senado, Renan anunciou que a CAE instalará, na primeira semana de fevereiro, um grupo de trabalho destinado a acompanhar e supervisionar as investigações relacionadas ao caso Master. O colegiado foi criado na semana anterior com sete integrantes e será coordenado pelo próprio senador.

De acordo com Renan, o grupo deverá ser ampliado com mais quatro parlamentares após manifestações de interesse de outros senadores. As prioridades ainda serão definidas, mas o presidente da CAE adiantou que estão previstas audiências públicas e a possibilidade de solicitação de quebras de sigilo, dependendo de deliberação do plenário do Senado. “Vamos fazer audiências públicas e vamos requisitar todas as informações sigilosas, porque a Lei Complementar 105 diz que o Banco Central e a CVM são obrigados a mandar as informações para a comissão, que cumpre um exclusivo papel fiscalizatório, mesmo que elas sejam sigilosas”, concluiu.

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