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Durigan defende imposto global sobre ultrarricos em debate paralelo ao G7

Ministro da Fazenda citou reforma tributária brasileira como exemplo de avanço na justiça fiscal

Dario Durigan, Ministro da Fazenda (Foto: Washington Costa/MF)
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247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (18) a ampliação do debate internacional sobre a taxação de grandes fortunas durante compromissos paralelos à reunião do G7, em Paris. As informações foram publicadas pelo G1.

Durante um evento promovido pela revista francesa Le Grand Continent, que reuniu acadêmicos, economistas e autoridades políticas, Durigan afirmou que o debate sobre justiça tributária e tributação dos ultrarricos é uma pauta contemporânea e deve ganhar espaço nas principais instâncias multilaterais. O encontro contou também com a participação do economista Gabriel Zucman, diretor do Observatório Fiscal Internacional e um dos principais defensores da criação de um imposto mínimo global sobre bilionários.

“Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo, como o debate da jornada de trabalho no Brasil também foi. O debate da taxação dos super-ricos deve ser levado”, declarou Durigan ao final do evento.

O ministro ainda destacou a relevância política da presidência francesa no G7 para impulsionar o tema. “O poder de agenda vem muito da presidência do G7. (…) Agora, se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, acrescentou.

A proposta defendida por Gabriel Zucman prevê a criação de um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios superiores a US$ 100 milhões. O economista vem colaborando com o Ministério da Fazenda desde a presidência brasileira do G20, em 2024, quando o Brasil levou pela primeira vez o tema da tributação dos ultrarricos para o centro das discussões internacionais.

A experiência brasileira tem sido apontada como referência nesse debate. Em 2025, o país aprovou uma reforma tributária que estabeleceu um imposto mínimo progressivo de até 10% sobre grandes fortunas. Segundo estimativas da equipe econômica, cerca de 142 mil brasileiros serão impactados pela medida.

Apesar do avanço no Brasil, a discussão ainda enfrenta resistência em várias economias desenvolvidas, especialmente nos Estados Unidos. Na França, considerada uma das nações mais abertas ao debate sobre desigualdade tributária, uma proposta semelhante foi rejeitada pelo Senado no ano passado. O projeto previa a cobrança anual de 2% sobre patrimônios acima de 100 milhões de euros e atingiria aproximadamente 1,8 mil contribuintes, segundo cálculos de Zucman.

Outros países europeus, como Espanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica, também estudam ampliar a tributação sobre grandes fortunas. Nos Estados Unidos, o estado da Califórnia, governado pelo democrata Gavin Newsom, adversário político do presidente Donald Trump, também analisa propostas na mesma direção.

Além da pauta tributária, os encontros do G7 têm sido marcados pelas preocupações com a guerra envolvendo o Irã e os impactos econômicos globais do conflito, especialmente sobre o mercado de energia. A presidência francesa do grupo tem priorizado discussões consideradas mais consensuais entre os países-membros, como a segurança do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% dos hidrocarbonetos exportados mundialmente.

Durigan afirmou que as conversas com representantes de países do Golfo têm ajudado o Brasil a compreender os efeitos regionais da crise. “Tem sido muito importante ouvir os ministros de outros países, as lideranças de outros países que estão sentindo o impacto da guerra de uma outra perspectiva. Quando a gente conversa com os países do Golfo, que estão convidados para um almoço amanhã no G7, e eles contam a perspectiva local de como está o desenvolvimento da guerra na região, isso contribui muito”, disse.

O representante brasileiro também defendeu a adoção de “subsídios limitados” aos combustíveis como forma de reduzir os impactos da instabilidade no Oriente Médio sobre os preços internacionais da energia.

Outro eixo prioritário para o governo brasileiro nas discussões em Paris envolve a atração de investimentos estrangeiros e o fortalecimento da cadeia de minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética global.

“Um fórum como o G7 permite fazer esse debate e mostrar como a gente tem melhorado a situação econômica no Brasil, do ponto de vista macro, com os números todos que a gente tem apresentado”, afirmou Durigan.

O ministro ressaltou ainda a necessidade de ampliar a segurança jurídica para estimular investimentos no setor mineral. “É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos céleres e seguros, evitando judicialização, com grande pactuação com o setor”, argumentou. “Há um interesse grande nessa área.”

Antes de retornar a Brasília, Durigan participará nesta terça-feira (19) de uma reunião com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), sediada na capital francesa.

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