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Empregos no setor de petróleo e gás retornam ao patamar de 15 anos atrás no Brasil

Estudo da Abespetro aponta retomada das contratações no setor

Visão aérea de uma plataforma da Petrobras na Bacia de Campos, a P-52 (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)
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247 - O setor de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás voltou a registrar, em 2025, o mesmo nível de empregos observado há 15 anos no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro), o segmento alcançou a marca de 700 mil postos de trabalho, revertendo a desaceleração nas contratações iniciada na década passada.

As informações constam no Caderno Abespetro 2026, divulgado nesta quinta-feira (14) e antecipado pelo jornal Valor Econômico. O levantamento traça um panorama do mercado de óleo e gás no país e aponta oportunidades e desafios que podem definir o futuro da indústria nos próximos anos.

Ao considerar toda a cadeia produtiva do petróleo e gás — incluindo logística, refino e distribuição — o número total de empregos chegou a 1,6 milhão em 2025. Desse total, o segmento de exploração e produção respondeu por pouco mais de 40% das vagas geradas.

A recuperação do setor ocorre após um período de forte retração. Depois de 2010, a indústria sofreu impactos da Operação Lava Jato, que provocou suspensão e revisão de contratos da Petrobras, além da queda expressiva nos preços internacionais do petróleo entre 2014 e 2016. Outro fator apontado pela Abespetro foi a redução dos leilões de áreas exploratórias, o que diminuiu a descoberta de novas reservas.

Apesar do cenário de recuperação, a Abespetro alerta que o crescimento do emprego pode perder força caso o país não avance em questões consideradas estratégicas. Entre os principais desafios estão o aumento do número de poços exploratórios, a elevação do fator de recuperação das jazidas e a ampliação da inclusão de pessoas com deficiência nas operações offshore.

O estudo apresenta três projeções para o futuro da empregabilidade no setor. O cenário-base considera investimentos em novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. Já a projeção pessimista prevê o cancelamento da exploração nessas regiões, enquanto o cenário otimista aposta na elevação do fator de recuperação das reservas brasileiras de 27% para 31%.

Outro ponto destacado pela entidade é o baixo fator de recuperação das jazidas brasileiras em comparação com padrões internacionais. Enquanto o Brasil opera atualmente em torno de 27%, o Mar do Norte já alcança índices próximos de 46%.

Além da expansão da exploração, a inclusão de pessoas com deficiência em plataformas offshore também aparece como prioridade no estudo. Segundo Ghiorzi, ainda existe resistência no setor para ampliar a presença desses profissionais nas operações em alto-mar.

A Abespetro informou que já desenvolve iniciativas em parceria com o Ministério Público do Trabalho para ampliar a capacitação de profissionais com deficiência. Entre as ações, a entidade promoveu treinamentos de segurança para atuação em plataformas e simulações de abandono de helicópteros em caso de acidentes no mar.

O levantamento também aborda mudanças consideradas importantes para fortalecer a cadeia produtiva nacional. Uma das propostas defendidas pela entidade é a substituição do atual modelo de punição para empresas que descumprem metas de conteúdo local obrigatório por um sistema de bonificação às companhias que superarem os percentuais exigidos.

Outro tema debatido é a reformulação das regras de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Atualmente, as petroleiras são obrigadas a destinar 1% de sua receita para projetos administrados principalmente por universidades.

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