EUA intensificam ofensiva por minerais estratégicos no Brasil
Washington mapeia projetos, injeta bilhões e avança em acordos diretos para garantir acesso a lítio, terras raras e nióbio brasileiros
247 - Os Estados Unidos intensificaram sua ofensiva para garantir acesso à cadeia de minerais críticos no Brasil, em meio à disputa global por insumos estratégicos para a transição energética e para setores de alta tecnologia. Segundo informações da S&P Global, a embaixada estadunidense no Brasil mapeou mais de 50 projetos capazes de transformar o país em um polo de investimentos em minerais essenciais.
A movimentação ocorre em um momento em que Washington busca reduzir sua dependência da China no processamento de elementos fundamentais para baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e tecnologias digitais. O Brasil aparece nesse cenário por deter as maiores reservas mundiais de nióbio e por sua relevância em grafite, terras raras, níquel e lítio.
Agências dos Estados Unidos já destinaram US$ 600 milhões a projetos brasileiros ligados a minerais críticos, de acordo com a S&P Global. Além disso, em 20 de abril, a USA Rare Earth adquiriu por US$ 2,8 bilhões a única produtora de terras raras em operação no Brasil, em mais um sinal do interesse estadunidense em ampliar sua presença no setor mineral brasileiro.
A disputa, porém, não se limita à extração. O Brasil tenta evitar o papel histórico de mero exportador de matérias-primas e busca avançar na industrialização local, com uma cadeia de valor mais completa, sustentável e capaz de gerar tecnologia, empregos qualificados e agregação de valor dentro do país.
As conversas entre os governos federais de Washington e Brasília continuam em andamento, mas os Estados Unidos também têm procurado avançar por meio de acordos diretos com estados ricos em recursos minerais. Goiás aparece entre os exemplos citados, com iniciativas de cooperação voltadas ao setor.


