Febraban confirma Milton Maluhy no comando do conselho e incorpora Nubank à entidade
Mudança na liderança da federação e entrada do Nubank sinalizam nova composição de forças no sistema bancário brasileiro
247 – A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) confirmou que o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, será o novo presidente do conselho diretor da entidade, em movimento antecipado pelo jornal Valor Econômico. Ele substituirá Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco, em uma transição que reposiciona o comando político-institucional da principal organização representativa do setor bancário no País.
A confirmação foi feita pela própria Febraban, que informou que Maluhy liderará chapa única no processo eleitoral da nova gestão deliberativa. A assembleia para a eleição está marcada para 9 de abril, em reunião presencial na sede da federação. Segundo a entidade, “o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, fará o registro de chapa única, liderando o rol das instituições associadas e dos dirigentes que irão compor, na condição de conselheiros e diretores executivos da Febraban, a nova gestão deliberativa”.
Transição no comando da Febraban
A escolha de Milton Maluhy ocorre após uma rodada de articulações entre Luiz Carlos Trabuco e representantes dos principais bancos do País nas últimas semanas. O processo caminhou para uma composição de consenso, consolidada na apresentação de chapa única para o comando da federação.
Nos bastidores, havia expectativa em torno da possibilidade de o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, disputar o posto. Isso se devia ao peso crescente da instituição no sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. Ainda assim, prevaleceu a solução negociada entre os grandes bancos, segundo informações de fontes que acompanham o processo. Interlocutores próximos de Esteves negam que ele tivesse intenção de liderar a Febraban.
A chegada de Maluhy ao comando do conselho diretor reforça o protagonismo do Itaú Unibanco dentro da estrutura institucional do setor bancário. Trata-se de um posto estratégico, com forte influência sobre a interlocução entre os bancos, os órgãos reguladores e os demais atores da economia nacional.
Nubank passa a integrar a federação
Ao mesmo tempo em que confirmou a nova presidência do conselho, a Febraban anunciou também a adesão do Nubank como associado. A entrada da fintech na entidade representa um movimento relevante no redesenho da representação institucional do sistema financeiro brasileiro, reunindo no mesmo espaço bancos tradicionais e novos grupos com forte presença digital.
A aproximação ocorre após o Banco Central estabelecer uma nova regra segundo a qual apenas bancos podem utilizar a palavra “bank” em suas marcas. Diante dessa exigência regulatória, o Nubank já havia informado que buscaria obter uma licença bancária.
Para o presidente da Febraban, Isaac Sidney, a adesão da instituição digital fortalece o ambiente de debate dentro da entidade. Em declaração divulgada pela federação, ele afirmou: “a iniciativa do Nubank é muito bem-vinda, pois demonstra seu interesse em participar ativamente dos espaços de diálogo e de articulação institucional da indústria e, ao mesmo tempo, evidencia a valorização, por parte da Febraban, da pluralidade, do debate qualificado e da construção setorial de soluções em um ambiente representativo e diverso”.
Expansão institucional e disputa por influência
A entrada do Nubank na Febraban tem peso político e simbólico. Ao aderir à principal entidade do setor, a instituição amplia sua presença nos fóruns em que se discutem regulação, inovação, concorrência e desenho do sistema financeiro.
A CEO do Nubank no Brasil, Livia Chanes, destacou esse sentido estratégico da associação. Segundo ela, “ao trazer nosso histórico de inovação, inclusão financeira e foco nos clientes também para este fórum, reforçamos nossa contribuição para o fortalecimento do sistema financeiro, além de seguirmos comprometidos em reduzir a complexidade da indústria e simplificar a vida dos nossos clientes”.
A fala reforça a tentativa do Nubank de se apresentar não apenas como agente de disrupção tecnológica, mas também como participante ativo da construção institucional do setor. A adesão à Febraban, nesse contexto, amplia sua legitimidade junto aos demais bancos e às autoridades responsáveis pela regulação do mercado.
Ainda assim, o Nubank informou que continuará participando de outras entidades setoriais, como Zetta, ABBC e Anbima, preservando sua atuação em diferentes frentes de representação.
Novo equilíbrio no setor bancário
A combinação entre a eleição de Milton Maluhy e o ingresso do Nubank marca uma inflexão importante na Febraban. De um lado, a entidade mantém sua tradição de articulação entre os grandes bancos incumbentes, agora sob a liderança do principal executivo do Itaú Unibanco. De outro, incorpora de forma mais direta um dos nomes mais relevantes da transformação digital do sistema financeiro brasileiro.
Esse movimento sugere uma tentativa de acomodação entre forças tradicionais e novos modelos de negócio, em um momento em que o setor financeiro passa por mudanças estruturais impulsionadas por tecnologia, regulação e mudanças no comportamento dos clientes.
A nova composição da Febraban também tende a influenciar os debates sobre concorrência bancária, modernização regulatória, open finance, crédito, inclusão financeira e simplificação dos serviços. Ao reunir bancos tradicionais e digitais sob a mesma estrutura associativa, a entidade amplia seu alcance, mas também passa a refletir interesses mais diversos dentro da indústria.
Com a assembleia marcada para abril e a chapa única liderada por Maluhy já anunciada, a tendência é de uma transição sem sobressaltos na presidência do conselho diretor. Ao mesmo tempo, a chegada do Nubank à federação aponta para uma Febraban mais abrangente no plano formal, embora o desafio agora seja traduzir essa diversidade em consensos concretos para o futuro do sistema financeiro nacional.

