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Governo quer aprovar aumento do biodiesel no diesel até o fim de 2026

Ensaios técnicos para viabilizar o B16 terão recursos públicos e privados e podem antecipar decisão do CNPE

Governo quer aprovar aumento do biodiesel no diesel até o fim de 2026 (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

247 -O governo federal pretende aprovar até o fim de 2026 o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no óleo diesel, medida conhecida como B16, segundo informações publicadas pelo g1. Atualmente, o percentual obrigatório da mistura está fixado em 15%.

Para viabilizar a mudança, os testes técnicos começam ainda neste mês e contarão com cerca de R$ 30 bilhões em recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), além de investimentos privados. A comprovação da segurança e da viabilidade operacional da nova composição é considerada essencial para que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorize a elevação do teor de biodiesel.

A estrutura prevista para os ensaios reúne 11 laboratórios mecânicos, cinco laboratórios fisioquímicos e seis bancadas de ensaio, equipamentos responsáveis por avaliar desempenho, resistência e possíveis impactos em sistemas hidráulicos e mecânicos dos veículos e motores movidos a diesel.

Técnicos envolvidos nas discussões afirmam que a conclusão dos testes pode ocorrer antes do prazo inicialmente estimado, desde que haja ampliação da capacidade operacional disponível para os experimentos.

A ampliação da mistura de biodiesel ganhou força após manifestação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que voltou a defender o avanço dos combustíveis renováveis no país. No mês passado, Lula afirmou:

“De um por cento em um por cento, a gente vai convencer o mundo de que, se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar em pesquisa. Venha ao Brasil, que nós faremos transferência de tecnologia”

O cronograma para o aumento gradual da mistura está previsto na chamada Lei do Combustível do Futuro. A legislação determina uma elevação anual de um ponto percentual no teor de biodiesel adicionado ao diesel, com possibilidade de alcançar 20% até 2030.

Apesar do avanço previsto em lei, o tema enfrenta resistência de setores produtivos ligados ao transporte e à indústria, que apontam preocupações sobre custos operacionais e impactos técnicos nos motores.

Enquanto o biodiesel ainda depende da conclusão dos testes, a ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, conhecida como E32, já teve sua viabilidade técnica confirmada e aguarda apenas deliberação do CNPE.

Segundo técnicos envolvidos no tema, o atual cenário macroeconômico é considerado favorável para a adoção do E32, embora ainda não exista data definida para que o conselho analise oficialmente a proposta.

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