Governo registra déficit de R$ 73,8 bilhões em março de 2026
Resultado do Tesouro reflete alta de receitas e avanço das despesas, com impacto de Previdência e precatórios
247 – O governo central registrou déficit primário de R$ 73,8 bilhões em março de 2026, ante superávit de R$ 1,5 bilhão no mesmo mês de 2025, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados em 29 de abril. O resultado reflete a combinação entre crescimento da arrecadação e aumento mais expressivo das despesas no período.
No mês, a receita total apresentou elevação de 5,1% em termos reais na comparação anual, enquanto a receita líquida cresceu 7,5%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento na arrecadação de impostos como Imposto de Importação, Imposto de Renda e IOF, além da elevação da arrecadação líquida para o RGPS.
As despesas, por sua vez, cresceram em ritmo mais acelerado. Em março, o gasto total avançou 49,2% em termos reais frente ao mesmo mês de 2025, com destaque para o aumento dos benefícios previdenciários, das despesas com pessoal e encargos sociais e dos pagamentos de precatórios e sentenças judiciais.
No acumulado do ano até março, o resultado primário do governo central passou de superávit de R$ 54,9 bilhões em 2025 para déficit de R$ 17,1 bilhões em 2026. No mesmo período, a receita líquida cresceu 4,2% em termos reais, enquanto as despesas totais avançaram 18,3%.
Em 12 meses até março de 2026, o déficit primário soma R$ 136,5 bilhões, equivalente a cerca de 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB), refletindo a dinâmica recente das contas públicas.
Os dados também mostram que o crescimento das despesas está associado principalmente à elevação dos benefícios previdenciários, ao aumento dos gastos com pessoal e à expansão de outras despesas obrigatórias, além de pagamentos judiciais concentrados no período.
As projeções oficiais indicam que o resultado primário de 2026 deve permanecer negativo, com estimativa de déficit de R$ 59,8 bilhões, considerando as previsões mais recentes de receitas e despesas ao longo do ano.


