Guerra prolongada contra o Irã pode elevar preços globais de alimentos, alerta economista da ONU
Agressões dos EUA e Israel ao país persa tendem a encarecer fertilizantes e impactar custos agrícolas no mundo
247 - Uma guerra prolongada contra o Irã pode provocar aumento significativo nos preços dos alimentos em escala global, segundo avaliação do economista-chefe da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e Agricultura, Máximo Torero. Ele afirma que, caso o conflito se estenda por mais de três meses, os impactos sobre a produção agrícola tendem a se intensificar. As informações são da RT Brasil.
"Por isso é tão importante não permitir que isso continue a se intensificar por um período prolongado", afirmou Máximo Torero. O economista indicou que a continuidade da crise pode elevar os custos de insumos essenciais e comprometer a próxima safra, com efeitos duradouros. Ele também apontou a necessidade de buscar alternativas logísticas para reduzir os impactos no abastecimento.
Impacto nos fertilizantes
Os países do Golfo Pérsico, incluindo Irã, Arábia Saudita e Omã, estão entre os principais exportadores de fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia. Juntos, respondem por cerca de um terço das exportações globais de ureia e entre 20% e 30% das exportações de amônia. Estimativas indicam que os preços globais dos fertilizantes podem permanecer entre 15% e 20% mais altos no primeiro semestre do ano, caso a crise continue. O aumento tende a pressionar os custos agrícolas e, consequentemente, os preços dos alimentos.
Até 30% do comércio global de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento da produção da região. Interrupções no fluxo já resultaram na retenção de cerca de 3 a 4 milhões de toneladas desses insumos. Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, os preços da energia têm apresentado forte volatilidade. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, contribuiu para a instabilidade no mercado.
Em 8 de março, o preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares e chegou a quase 120 nas primeiras horas do dia, antes de recuar. Ainda assim, a oscilação permanece. A Guarda Revolucionária iraniana informou que permitirá a passagem pelo estreito apenas a países que expulsem embaixadores dos Estados Unidos e de Israel. Posteriormente, reforçou que embarcações desses países e de seus aliados não podem utilizar a rota.


