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Aliado de Trump alerta: economia dos EUA não pode suportar a guerra contra o Irã

“Não acho que esta seja uma economia capaz de lidar com o petróleo a US$ 100 o barril”, afirma o economista EJ Antoni

Imagem aérea revela o litoral do Irã e a ilha de Qeshm, localizada no estreito de Ormuz, bandeira do Irã e Donald Trump (Foto: Dado Ruvic/Reuters I Reuters)

247 - A economia dos Estados Unidos enfrenta sinais crescentes de fragilidade diante da escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente após o aumento expressivo nos preços do petróleo. Um economista ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o atual cenário econômico não é robusto o suficiente para suportar um barril acima de US$ 100, o que pode agravar ainda mais a inflação e pressionar consumidores e empresas. As declarações foram dadas ao Financial Times em meio à preocupação crescente com os efeitos econômicos da guerra no Irã. 

EJ Antoni, economista que chegou a ser indicado por Donald Trump para liderar o Bureau of Labor Statistics (BLS), avaliou que a economia americana está em uma posição mais vulnerável do que se imaginava. “Não acho que esta seja uma economia capaz de lidar com o petróleo a US$ 100 o barril, simplesmente não é”, afirmou. Segundo ele, a alta nos preços da energia tende a pressionar toda a cadeia econômica, revertendo o efeito observado em 2025, quando custos mais baixos ajudaram a conter a inflação

De acordo com Antoni, o cenário atual revela uma deterioração das condições econômicas. “A economia está mais fraca e a inflação está pior do que pensávamos”, disse, pouco antes da decisão do Federal Reserve de manter a taxa de juros inalterada. Ele ressaltou que a elevação nos preços da energia terá impacto direto sobre os preços ao consumidor, ampliando pressões inflacionárias

As preocupações ganham força em um momento de instabilidade política e econômica nos Estados Unidos. A fala do economista ocorreu um dia após a renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, em protesto contra a guerra no Irã, marcando uma baixa relevante no governo Trump desde o início do conflito

O impacto do petróleo já é visível. O barril do Brent subiu mais de 5%, aproximando-se de US$ 110, enquanto os preços da gasolina saltaram de US$ 2,92 para US$ 3,84 por galão em um mês. O diesel também ultrapassou a marca de US$ 5, aumentando os custos para consumidores e empresas

Além disso, indicadores econômicos recentes reforçam o quadro de preocupação. O crescimento do PIB dos EUA no quarto trimestre de 2025 foi revisado para 0,7%, abaixo da estimativa inicial de 1,4%. Dados mais recentes mostram que os preços no atacado avançaram acima do esperado em fevereiro, antes mesmo do início da guerra

O mercado de trabalho também apresenta sinais de enfraquecimento. A economia perdeu 92 mil empregos no último mês, revertendo grande parte dos ganhos anteriores. Antoni destacou “a falta de crescimento de empregos” e atribuiu parte do problema aos cortes no funcionalismo federal realizados no ano passado

O economista também voltou a criticar o BLS, órgão que chegou a ser cotado para liderar. Em declarações anteriores, chegou a comparar a instituição a “um gerador de números aleatórios” e defendeu mudanças estruturais. “É preciso uma revisão completa e total de cima a baixo de tudo, desde a coleta de dados até o processamento e até mesmo a divulgação dos dados, porque houve alguns problemas com vazamentos”, afirmou

A trajetória de Antoni dentro do governo Trump também foi marcada por reviravoltas. Após ser indicado em agosto, sua nomeação foi retirada um mês depois, com o presidente dos Estados Unidos optando por outro nome, ainda dependente de aprovação do Senado

O cenário econômico, somado ao avanço dos preços da energia, já gera apreensão entre republicanos, que temem impactos negativos nas eleições de meio de mandato.

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