Preço do gás na Europa dispara após ataque do Irã no Catar
Bombardeio a instalação de GNL eleva custos de energia e pressiona mercado global com temores de crise de abastecimento
247 - O mercado global de energia registra forte alta nesta quinta-feira (19) após ataques a instalações estratégicas no Oriente Médio intensificarem os temores de interrupção no fornecimento mundial. O preço do gás na Europa liderou os ganhos, com o índice de referência TTF subindo 21%, refletindo a escalada das tensões envolvendo o Irã e países do Golfo, relata a CNBC.
O Catar confirmou que ataques com mísseis iranianos danificaram uma importante instalação de exportação de gás natural liquefeito (GNL), ampliando as preocupações sobre a oferta global. O episódio ocorreu após Teerã alertar sobre possíveis ações contra infraestruturas energéticas na região, em resposta a bombardeios israelenses contra uma unidade de processamento de gás no território iraniano.
Além do salto no mercado europeu, os preços de energia também avançaram em outras regiões. O barril do petróleo Brent subiu 8%, alcançando US$ 116,2, enquanto o WTI chegou a US$ 97,65. Nos Estados Unidos, o gás natural teve alta de 4%, e a gasolina negociada na Nymex avançou 4,6%, atingindo níveis próximos aos mais elevados dos últimos quatro anos.
Autoridades do Catar informaram que os ataques causaram “danos extensos” na cidade industrial de Ras Laffan, considerada a maior instalação de exportação de GNL do mundo. Equipes de emergência foram mobilizadas para conter incêndios no local. Segundo a QatarEnergy, não houve vítimas, e o fogo foi controlado posteriormente.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou o episódio como uma “escalada perigosa” e uma “violação flagrante da soberania”, alertando para riscos à segurança nacional e à estabilidade regional. O governo afirmou ainda que se reserva o direito de responder conforme o direito internacional.
A situação já vinha se agravando desde o início de março, quando o Catar suspendeu parte da produção de GNL após ataques com drones iranianos a instalações industriais. O país é o segundo maior exportador global do combustível, responsável por cerca de um quinto das remessas mundiais.
Outro fator de pressão é a interrupção parcial do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo, o que amplia os riscos de um choque de oferta no mercado internacional.
Especialistas alertam para um cenário mais crítico caso o conflito ultrapasse os limites do Golfo. O consultor sênior de energia da Gulf Oil, Tom Kloza, afirmou: “Você consegue imaginar a reação global se o Irã atacasse algo fora do Golfo Pérsico, como uma refinaria em Roterdã ou uma instalação nos Estados Unidos? Nesse caso, tudo sairia do controle e os preços poderiam atingir níveis absolutamente explosivos”.
Já Dan Pickering, fundador da Pickering Energy Partners, destacou a mudança no padrão de risco. “Estamos passando de um problema de cadeia de suprimentos para potencialmente um problema de oferta. Há uma grande diferença. Problemas de logística podem ser resolvidos rapidamente”, disse. Ele acrescentou: “Se você começa a afetar a capacidade de produção, seja de GNL ou petróleo, e de repente não há volume suficiente disponível, isso representa uma escalada significativa”.
A intensificação dos ataques contra infraestrutura energética no Oriente Médio amplia a volatilidade dos mercados e reforça as incertezas sobre o abastecimento global, com impacto direto sobre preços e cadeias produtivas.

