IATA alerta para atraso global na produção de SAF
Entidade afirma que a produção global de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) cobre apenas 0,8% do consumo e cobra incentivos governamentais
247 - A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou novas estimativas apontando que a produção global de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) deverá alcançar cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026. Apesar do avanço, o volume representará apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação, gerando um custo estimado de US$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas.
Segundo Willie Walsh, diretor-geral da IATA, o ritmo de expansão da produção está muito abaixo do necessário para que o setor cumpra a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2050.
“Parece que será mais um ano decepcionante para a produção de SAF. Cinco anos após o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050, a produção de SAF representará apenas 0,8% do consumo de combustível de aviação este ano”, afirmou.
Walsh atribuiu a lentidão a políticas governamentais inadequadas e à falta de interesse das grandes empresas petrolíferas em investir na ampliação da produção do combustível sustentável.
Quatro prioridades para ampliar a produção
Para acelerar a expansão do SAF, a IATA defende uma ação coordenada em quatro frentes principais:
- Ampliação da oferta de energia renovável para sustentar a produção do combustível e garantir matérias-primas suficientes;
- Acesso aberto à infraestrutura de combustíveis, incluindo oleodutos, sistemas de armazenamento e abastecimento em aeroportos;
- Fortalecimento dos incentivos governamentais e dos mecanismos de financiamento antes da imposição de mandatos obrigatórios;
- Criação de um mercado global de SAF, com regras harmonizadas, maior escala de produção e preços comercialmente viáveis.
A entidade também destaca a importância de um sistema internacional de reserva e reembolso para transformar o mercado do SAF de regional para global, ampliando o acesso ao combustível por companhias aéreas e produtores independentemente da localização geográfica.
Metas de e-SAF enfrentam obstáculos
Além dos biocombustíveis, a descarbonização da aviação depende do chamado e-SAF, produzido a partir de eletricidade renovável por meio de processos conhecidos como power-to-liquid (PtL).
No entanto, a IATA considera que as metas estabelecidas pela União Europeia e pelo Reino Unido estão distantes da realidade atual do setor. As duas regiões projetam produzir cerca de 600 mil toneladas de e-SAF até 2030, mas a capacidade global atualmente em operação ou em construção soma apenas 20 mil toneladas.
Segundo a entidade, existe apenas uma unidade produtiva em funcionamento no mundo. Para atingir as metas europeias seriam necessárias aproximadamente 20 refinarias comerciais de grande porte. Além disso, nenhuma nova decisão final de investimento foi anunciada no último ano.
Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA, criticou a estratégia adotada pelos governos europeus.
“As metas de e-SAF para 2030 estabelecidas pelo Reino Unido e pela União Europeia são mais do que irrealistas — estão completamente dissociadas da realidade. Impor mandatos antes mesmo da produção ser viabilizada é uma estratégia imprudente”, afirmou.
Passageiros apoiam a descarbonização
Uma pesquisa realizada pela IATA em abril de 2026 mostra que os passageiros seguem apoiando fortemente a redução das emissões no transporte aéreo.
Segundo o levantamento:
- 89% acreditam que o setor deve continuar reduzindo emissões, mesmo que os governos diminuam seus esforços;
- 66% afirmam estar dispostos a pagar mais para compensar emissões de carbono;
- 88% esperam aumento no preço das passagens devido aos investimentos em sustentabilidade;
- 48% consideram as emissões de carbono ao escolher voos;
- Mais de 85% dos que observam esse critério afirmam que ele influencia suas decisões;
- Cerca de três quartos preferem companhias aéreas com melhor desempenho ambiental.
Os passageiros também demonstraram preferência por investimentos em soluções tecnológicas e combustíveis sustentáveis, considerados mais eficazes do que a adoção de novos impostos para reduzir as emissões.
De acordo com a IATA, os resultados revelam que os consumidores esperam uma transição ambiental efetiva da aviação, apoiam medidas para reduzir emissões e estão cada vez mais atentos ao desempenho ambiental das companhias aéreas, ainda que fatores como preço e conveniência continuem influenciando suas escolhas.



