Ibovespa renova recorde histórico e passa dos 166 mil pontos pela primeira vez
Bolsa brasileira sobe enquanto índices de Nova York recuam
247 - O mercado financeiro brasileiro viveu mais um dia histórico nesta terça-feira, com o Ibovespa atingindo um novo recorde intradiário ao ultrapassar os 166 mil pontos. Ainda no começo da tarde, o principal índice da B3 rompeu a marca anterior e estabeleceu um novo patamar cerca de 400 pontos acima do recorde registrado em meados de janeiro, em um movimento que destoou do desempenho negativo das bolsas dos Estados Unidos.
Segundo o Estadão Conteúdo, o avanço do Ibovespa ocorreu em contraste com o fechamento em queda dos principais índices de Nova York. O Dow Jones recuou 1,76%, o S&P 500 caiu 2,06% e o Nasdaq encerrou o dia com perda de 2,39%, refletindo o aumento da aversão a ativos americanos.
Entrada de recursos estrangeiros
A nova máxima intradiária foi alcançada em meio a um ambiente de maior entrada de recursos no mercado brasileiro, favorecido por um movimento global de realocação de capitais. Investidores reduziram posições em ativos considerados tradicionais de proteção nos Estados Unidos, como os títulos do Tesouro americano, direcionando parte desses recursos para mercados emergentes.
Blue chips impulsionam avanço do principal índice da B3
Na B3, o desempenho positivo foi sustentado principalmente pelas ações de maior peso no índice. Os papéis da Petrobras acompanharam parcialmente a valorização superior a 1% dos contratos futuros do petróleo Brent e WTI negociados em Londres e Nova York, com a ação ordinária subindo 0,85% e a preferencial avançando 0,37%.
A Vale, maior peso individual do Ibovespa, ganhou força ao longo da tarde e encerrou o pregão com alta de 1,92%, cotada a R$ 80,08, próxima da máxima do dia, de R$ 80,21. Entre os grandes bancos, o destaque ficou para o Bradesco PN, que avançou 1,43%, e para o Santander Unit, que subiu 2,01%, fechando na máxima.
Na ponta positiva do índice também apareceram TIM, com valorização de 4,98%, C&A, que avançou 4,34%, e Telefônica Brasil, com alta de 3,97%. Já entre as maiores quedas figuraram CSN, com recuo de 3,04%, Usiminas, que caiu 2,99%, e B3, com baixa de 2,85%.
Fuga de capital dos EUA favorece mercados emergentes
Para o economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti, o movimento observado no mercado brasileiro está diretamente ligado à saída de recursos dos Estados Unidos. “Há uma fuga de capital dos Estados Unidos, com muita gente vendendo Treasuries. E parte desses recursos acaba migrando para emergentes como o Brasil, a partir desse ‘sell-off’, essa onda de vendas em cima dos ativos americanos”, afirmou.
Segundo ele, a redução global das posições em títulos do Tesouro americano, tradicionalmente vistos como ativos de proteção, tem aumentado a liquidez disponível em mercados emergentes, em um contexto marcado por incertezas geradas pelas ações do governo dos Estados Unidos contra aliados, como a União Europeia.
Um exemplo desse movimento foi a decisão do fundo de pensão dinamarquês AkademikerPension, que anunciou a venda, até o fim do mês, de participações em títulos do Tesouro dos Estados Unidos avaliadas em cerca de US$ 100 milhões. De acordo com a Agência Reuters, o fundo citou a fragilidade das finanças do governo americano, ressaltando que a decisão não tem caráter político nem relação direta com o atrito entre Dinamarca e Estados Unidos.
Tensões comerciais marcam cenário internacional
O ambiente de incerteza também esteve presente nos debates do Fórum Econômico Mundial, em Davos. O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que, caso a Europa reaja às tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, “então será um jogo de retaliação mútua”.
No mesmo evento, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, destacou que tarifas comerciais têm sido utilizadas como instrumentos de pressão entre países. “Os Estados Unidos são uma boa conexão, mas também precisamos de China, Índia e Mercosul”, disse, ao comentar a estratégia canadense de ampliar sua resiliência econômica.


