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Importação de diesel cai 60% e setor teme desabastecimento

Redução nas compras externas pressiona preços e acende alerta no setor

Importação de diesel cai 60% e setor teme desabastecimento (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

247 - As importações de diesel no Brasil registraram forte queda em março, ampliando os riscos para o abastecimento interno e pressionando os preços do combustível em todo o país. O cenário ocorre em meio à alta das cotações internacionais do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Segundo o jornal O Globo, nota técnica da Agência Nacional do Petróleo (ANP) aponta que a retração nas compras externas chegou a quase 60%, acendendo um alerta para a segurança do fornecimento nacional de combustíveis.

Queda nas importações e impacto global

Nos primeiros 17 dias de março, o volume importado de diesel foi de aproximadamente 322,6 milhões de litros, uma queda de 59,6% em relação ao mesmo período de 2025. O combustível importado representa cerca de 30% do consumo brasileiro, o que amplia os efeitos dessa retração.

O aumento do preço internacional do petróleo tornou o diesel importado até R$ 2,50 mais caro por litro em comparação ao valor praticado pela Petrobras. Diante disso, importadores reduziram as compras, temendo dificuldades para repassar os custos ao mercado interno.

Demanda elevada pressiona o mercado

Ao mesmo tempo em que a oferta diminui, a demanda segue elevada, impulsionada principalmente pela colheita de uma nova safra de soja. Esse descompasso levou técnicos da ANP a classificarem o cenário como preocupante.

Segundo a nota técnica, “o abastecimento nacional de combustíveis se encontra sob situação excepcional de risco”, com fatores como redução da oferta externa, aumento da demanda interna e pressão adicional sobre o mercado de gasolina.

Ajustes na oferta e posição da Petrobras

O levantamento da ANP também aponta mudanças nos volumes aprovados pela Petrobras para distribuição. Em março, houve redução de 21,6% na gasolina fornecida às distribuidoras, na comparação com o mesmo mês de 2025.

No caso do diesel S10, os volumes foram maiores até março, mas sofreram queda de 12,5% na aprovação para abril, já sob impacto do agravamento do cenário internacional.

A Petrobras afirmou que mantém o cumprimento integral dos contratos e que suas refinarias operam em capacidade máxima. A empresa declarou ainda que está otimizando a logística para ampliar a oferta e antecipar entregas às distribuidoras.

Alta de preços e alerta do setor

Os efeitos já aparecem nas bombas. Segundo a ANP, o preço médio do diesel subiu de R$ 6,80 para R$ 7,26 em uma semana, alta de 6,76%. Desde o fim de fevereiro, quando o conflito no Oriente Médio se intensificou, o aumento acumulado chega a 19,4%.

Entidades do setor, como Fecombustíveis, Sincopetro, Abicom, Refina Brasil, Sindicom e BrasilCom, divulgaram nota conjunta alertando para o risco de desabastecimento e cobrando medidas do governo federal.

De acordo com essas organizações, políticas como isenção de tributos e subsídios ajudam a reduzir custos, mas não chegam integralmente ao consumidor final, já que incidem sobre o diesel “A”, enquanto o mercado utiliza o diesel “B”, que inclui biodiesel.

Risco de desabastecimento no país

O cenário levou grandes distribuidoras a formalizarem alertas à ANP sobre a deterioração das condições de abastecimento, especialmente na região Centro-Sul.

Com a combinação de oferta restrita, demanda aquecida e preços internacionais elevados, o mercado brasileiro de combustíveis segue sob forte pressão, aumentando o risco de desabastecimento caso o cenário externo permaneça instável.

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