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Inflação acelera para 0,7% em fevereiro com alta nas mensalidades escolares

Reajustes no início do ano letivo impulsionam grupo Educação e pressionam o IPCA, segundo dados divulgados pelo IBGE

Aluno em sala de aula (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

247 - A inflação oficial do Brasil voltou a ganhar força em fevereiro, influenciada principalmente pelos reajustes nas mensalidades escolares típicos do início do ano letivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,70% no mês, após registrar alta de 0,33% em janeiro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, o principal fator de pressão sobre o índice foi o grupo Educação, que apresentou variação de 5,21% e respondeu por 0,31 ponto percentual do resultado mensal. As informações foram publicadas pela Agência de Notícias do IBGE.

No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 1,03%. Já no período de 12 meses, a inflação soma 3,81%, resultado inferior aos 4,44% observados nos doze meses imediatamente anteriores. Apesar da aceleração em relação a janeiro, a taxa de fevereiro é a menor para o mês desde 2020, quando havia sido de 0,25%.

O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, destacou que a comparação com o mesmo período do ano passado revela diferenças importantes na composição das pressões inflacionárias. “Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31% houve uma pressão do grupo habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026”, explicou.

Ele também ressaltou o peso do reajuste escolar no índice atual. “Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025”, acrescentou.

Educação concentra maior impacto na inflação

Sozinho, o grupo Educação foi responsável por cerca de 44% da inflação registrada em fevereiro. O principal impacto veio do subgrupo cursos regulares, que subiu 6,20%, refletindo os reajustes anuais aplicados por escolas e instituições de ensino no início do calendário escolar.

Entre os itens que mais subiram estão o ensino médio, com alta de 8,19%, seguido pelo ensino fundamental (8,11%) e pela pré-escola (7,48%).

Transportes também pressionam o índice

Além da educação, o grupo Transportes contribuiu significativamente para o resultado do mês, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA. Juntos, Educação e Transportes responderam por aproximadamente 66% da inflação registrada em fevereiro.

A maior alta dentro do grupo foi a passagem aérea, que subiu 11,40%. Também registraram aumentos o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e a tarifa de ônibus urbano (1,14%).

Nos combustíveis, houve leve recuo médio de 0,47%. A gasolina caiu 0,61% e o gás veicular recuou 3,10%. Por outro lado, o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel avançou 0,23%.

Alimentação tem variação moderada

O grupo Alimentação e bebidas apresentou pequena aceleração, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio registrou alta de 0,23%, acima dos 0,10% do mês anterior.

Entre os produtos que mais subiram estão o açaí (25,29%), o feijão-carioca (11,73%), o ovo de galinha (4,55%) e as carnes (0,58%). Já algumas quedas ajudaram a conter o avanço dos preços, como as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%).

Fernando Gonçalves destacou mudanças importantes no comportamento desses itens em relação ao ano passado. “O grupo dos alimentos variou 0,26%, em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses. Além desses produtos o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses dada a boa oferta do cereal”.

Saúde e habitação também registram alta

O grupo Saúde e cuidados pessoais teve variação de 0,59% em fevereiro. Os principais aumentos ocorreram nos artigos de higiene pessoal (0,92%) e nos planos de saúde (0,49%).

Já o grupo Habitação registrou alta de 0,30%, após queda de 0,11% em janeiro. O movimento foi influenciado principalmente pelo aumento das tarifas de água e esgoto em diversas capitais, como Belo Horizonte, Porto Alegre, Campo Grande e São Paulo.

A energia elétrica residencial avançou 0,33%, com manutenção da bandeira tarifária verde. Em contrapartida, o gás encanado registrou queda de 1,60%, resultado da redução nas tarifas em cidades como Rio de Janeiro e Curitiba.

Diferenças regionais

Entre as capitais e regiões pesquisadas, Fortaleza registrou a maior variação do IPCA em fevereiro, com alta de 0,98%. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento dos cursos regulares (6,83%) e da gasolina (2,95%).

Na outra ponta, Rio Branco apresentou a menor variação do índice, de 0,07%, impactada pela queda nos preços da energia elétrica residencial (-1,27%) e do automóvel novo (-0,85%).

INPC também acelera no mês

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, registrou alta de 0,56% em fevereiro, acima do resultado de janeiro (0,39%).

No acumulado do ano, o INPC soma alta de 0,95%, enquanto no período de 12 meses registra avanço de 3,36%, também abaixo dos 4,30% observados no intervalo anterior.

Os produtos alimentícios passaram de alta de 0,14% em janeiro para 0,26% em fevereiro, enquanto os itens não alimentícios aceleraram de 0,47% para 0,66% no mesmo período.

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