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Escala 6x1 ainda atinge um terço dos empregos no Brasil, aponta estudo

Levantamento do Ministério do Trabalho indica que 33,2% dos vínculos seguem jornada de seis dias semanais, enquanto maioria já adota regime próximo ao 5x2

Carteira de trabalho digital (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - Um levantamento inédito apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revela que a escala de trabalho 6x1 — seis dias trabalhados para um de descanso — ainda está presente em 33,2% dos empregos no Brasil. Os dados foram apresentados durante audiência pública na Câmara dos Deputados e indicam que, apesar da persistência desse modelo, a maior parte dos trabalhadores já atua em jornadas semanais mais curtas.

O estudo foi elaborado pelo próprio ministério a partir de dados do sistema eSocial, que reúne registros de trabalhadores celetistas, estatutários, autônomos, avulsos, cooperados, domésticos e estagiários. O levantamento analisou 50,3 milhões de vínculos de trabalho cadastrados na base.

Maioria dos trabalhadores já está fora da escala 6x1

A análise aponta que 66,8% dos trabalhadores no país já não estão submetidos ao regime de seis dias consecutivos de trabalho. Esse grupo atua em jornadas semanais de cerca de 40 horas, geralmente distribuídas em cinco dias de atividade, padrão conhecido como escala 5x2.

Entre os vínculos registrados no eSocial, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores ainda cumprem jornada de seis dias por semana, somando 44 horas ou mais de trabalho semanal. Já 29,7 milhões de pessoas atuam no modelo de 40 horas semanais distribuídas ao longo de cinco dias.

Governo defende possibilidade de reduzir jornada

Durante a audiência na Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou que os dados indicam condições econômicas para discutir o fim da escala 6x1 no país. Segundo ele, a predominância crescente de jornadas de 40 horas semanais demonstra que a economia brasileira pode absorver mudanças no modelo de organização do trabalho.

“Neste exato momento, a economia brasileira está pronta para suportar 40 horas semanais. É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo”, afirmou o ministro.

Impacto econômico estimado

O estudo também aponta possíveis efeitos econômicos caso haja redução da jornada de trabalho. De acordo com a análise apresentada pelo ministério, a mudança poderia gerar um aumento adicional de 4,7% na massa total de rendimentos no Brasil.

A interpretação das informações extraídas do eSocial contou com o apoio de tecnologias de inteligência artificial, utilizadas para cruzar e processar os dados trabalhistas de milhões de vínculos formais registrados no sistema.

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