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‘O trabalhador precisa melhorar de vida para o País melhorar de vida’, diz Lula sobre fim da escala 6x1

'Quanto mais o trabalhador ganhar, mais o patrão ganhará', afirmou o presidente durante a Conferência Nacional do Trabalho

Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (3) que seja discutido junto ao Congresso Nacional o fim da jornada de trabalho 6x1, em que as pessoas trabalham seis dias e folgam uma vez por semana. 

“O trabalhador precisa melhorar de vida para o país melhorar de vida. Quanto mais o trabalhador ganhar, mais o patrão ganhará. Quanto menos o trabalhador ganha, mais o patrão perde. O patrão precisa de mercado para vender seus produtos”, disse Lula durante a 2º Conferência Nacional do Trabalho, na capital paulista.

“Estamos tentando construir um conjunto de propostas que interessam empresários e trabalhadores para dar mais comodidade para que as pessoas tenham mais tempo para estudar, ficar com a família e descansar”, acrescentou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a proposta de emenda à Constituição que propõe o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 poderá ser analisada pelo plenário da Casa no mês de maio. A discussão ocorre enquanto diferentes iniciativas sobre a carga horária semanal avançam no Congresso Nacional.

Uma dessas propostas é a PEC 148/2015, que foi aprovada em 10 de dezembro do ano passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Para que entre em vigor, a matéria ainda precisa passar por dois turnos de votação no plenário do Senado e também por dois turnos na Câmara dos Deputados, exigindo o apoio mínimo de 49 senadores e 308 deputados.

Outra iniciativa em debate é a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) em conjunto com outros parlamentares após ganhar repercussão o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). A proposta estabelece uma jornada semanal de 36 horas, organizada em quatro dias de trabalho e três dias de descanso.

Na Câmara também está em tramitação a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto propõe a redução gradual da jornada semanal para 36 horas ao longo de um período de dez anos, sem redução salarial. Atualmente, a proposta aguarda a indicação de um relator na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Visões sobre a discussão

O debate sobre o fim da escala 6x1 reúne posições divergentes. Defensores da proposta afirmam que a ampliação dos períodos de descanso pode favorecer a qualidade de vida dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, contribuir para ganhos de produtividade, ao aumentar o bem-estar e a motivação no ambiente de trabalho.

Já os críticos da redução da jornada argumentam que a mudança pode elevar os custos para as empresas, com possível impacto nos preços ao consumidor e prejuízos à competitividade, sobretudo em setores que dependem intensamente de mão de obra.

A discussão permanece em andamento no Congresso Nacional, onde diferentes propostas seguem em tramitação e enfrentam pressões de variados grupos sociais, enquanto ainda não há definição sobre quando o tema será levado à votação.

Levantamentos

Divulgada em 11 de fevereiro, a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6 x 1. Em julho de 2025, a pesquisa Genial/Quaest revelou que 70% dos parlamentares rejeitam a proposta de jornada de quatro dias semanais.

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