Luciana Santos anuncia R$ 51 bilhões para inovação e defende Nova Indústria Brasil em fórum Brasil-Índia
Ministra diz que governo Lula viabilizou crédito barato, subvenção e uma agenda de soberania tecnológica
247 – A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o Brasil vive a retomada das políticas industriais para reinserir o país “nas cadeias mais dinâmicas da economia global”. A declaração foi feita no Fórum Empresarial Brasil-Índia, realizado neste sábado, 21 de fevereiro de 2026, em Nova Déli, onde ela defendeu a Nova Indústria Brasil (MIB) como eixo central da estratégia de desenvolvimento.
Em sua fala, a ministra destacou que a MIB, estruturada em seis missões, expressa o papel decisivo do Estado no estímulo à inovação. “Ou seja, nós estamos fazendo escolhas, fazendo opções através dessas seis missões”, disse.
A ministra também afirmou que, para contribuir com o sucesso da MIB, o MCTI lançou o programa Mais Inovação, que ela classificou como o maior da história do país, com cerca de R$ 51 bilhões em investimentos entre 2023 e 2026.
Segundo Luciana, esse avanço só foi possível por decisão política do presidente Lula de recompor integralmente o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal instrumento de fomento à ciência, tecnologia e inovação no Brasil.
Ela ressaltou ainda a política de juros reduzidos para empréstimos voltados à inovação e relatou o impacto direto na busca por financiamento. “Com isso, garantimos condições competitivas para a inovação nas empresas e, como resultado dessa política, observamos um forte aumento da demanda por crédito na FINEP”, afirmou.
Para a ministra, a resposta do setor produtivo evidencia o efeito do crédito acessível sobre o investimento. “É uma demonstração do quanto crédito barato incentiva o investimento e impulsiona o crescimento nos mais diversos setores da economia”, acrescentou.
Luciana Santos disse que o governo também reforçou instrumentos de incentivos fiscais considerados “longevos e bem-sucedidos”, citando a Lei do Bem, a Lei de TICs — a Lei da Informática — e o PADIS, voltado ao desenvolvimento da indústria de semicondutores.
No painel, a ministra apontou grandes empresas nacionais como exemplos de capacidade inovadora, mencionando WEG e Embraer. “Essas grandes multinacionais como a WEG e a Embraer são exemplos e símbolos da pujança da economia brasileira”, disse, ao defender que políticas públicas de fomento podem “mudar todo um setor”.
A ministra anunciou ainda uma nova rodada de seleções públicas para apoiar projetos inovadores e de risco tecnológico desenvolvidos por empresas em parceria com instituições científicas e tecnológicas. Segundo ela, serão R$ 3,3 bilhões em recursos de subvenção econômica investidos em desafios estratégicos em áreas como saúde, sustentabilidade, semicondutores, economia circular, cadeias agroindustriais e transformação mineral.
Luciana também destacou investimentos em aeroespacial e defesa, associados à soberania tecnológica. “Estamos investindo fortemente também no setor aeroespacial e de defesa, porque compreendemos que a construção da capacidade de resguardar nossa soberania nacional por meio da autonomia tecnológica é a base para a recomposição do projeto de país, do projeto de nação”, afirmou, citando cerca de R$ 3 bilhões destinados a projetos como satélites, veículos lançadores, sistemas de radares e o ciclo completo do combustível nuclear.
Na mesma linha, mencionou o desenvolvimento do e-VTOL. “O nosso E-vitol também é uma joia da coroa, que é o nosso carro voador”, declarou.
Ao tratar de minerais críticos e transição energética, a ministra citou projeções de investimentos globais e o aumento da demanda por minerais estratégicos até 2030, alertando para riscos de concentração de oferta e restrições comerciais em meio à disputa geopolítica. Nesse contexto, defendeu que o Brasil tem condições de atrair investimentos em etapas de transformação mineral e produção de componentes de alto valor agregado, com base na disponibilidade de recursos e na matriz energética mais limpa.
Ela também afirmou que, nos últimos três anos, o MCTI, por meio da FINEP e do FNDCT, contratou 93 projetos relacionados ao tema, somando R$ 1,2 bilhão financiado, e que novos editais apoiarão projetos voltados a minerais críticos, mineração urbana, ímãs de terras raras e descarbonização da transformação mineral.
Ao concluir, a ministra defendeu a cooperação entre nações em desenvolvimento e citou a relação Brasil-Índia como estratégica para uma agenda de pesquisa e inovação voltada ao desenvolvimento inclusivo e sustentável, com integridade ambiental, diversidade e igualdade de gênero.


