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Ministra Hiwani Pande diz que parceria Brasil-Índia pode ser transformadora e cobra metas mais ambiciosas de comércio

Em Nova Déli, titular do Comércio da Índia afirma que US$ 15 bilhões em trocas é muito abaixo do potencial e aponta cinco pilares estratégicos

Hiwani Pande (Foto: Brasil 247)

247 – A ministra Hiwani Pande, do Comércio da Índia, afirmou neste sábado (21), em Nova Déli, durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia, que a relação bilateral está pronta para avançar em um “caminho transformador” após as visitas do primeiro-ministro Narendra Modi ao Brasil e do presidente Lula à Índia. Segundo ela, o atual volume de comércio entre os dois países está muito aquém do potencial estratégico da parceria.

“O primeiro-ministro Modi visitou e agora a visita do presidente Lula, eu acho que essa relação está preparada para um caminho transformador ampliado”, declarou.

A ministra destacou que o comércio bilateral gira hoje em torno de US$ 15 bilhões, número que considerou insuficiente. “Estamos ainda em apenas cerca de US$ 15 bilhões de comércio, o que está muito abaixo do que deveríamos estar”, afirmou. Ela também avaliou que a meta de cerca de US$ 20 bilhões até 2030 é pouco ambiciosa. “A meta que estabelecemos para 2030, em torno de US$ 20 bilhões, está muito, muito abaixo. E eu acho que sempre podemos fazer melhor com um impulso maior.”

Barreiras comerciais e necessidade de mais ambição

Hiwani Pande reconheceu que barreiras comerciais existentes nos dois países podem limitar o avanço do intercâmbio. “As barreiras comerciais que temos em ambos os países às vezes inibem os resultados e o aumento do comércio que poderia ter acontecido entre os dois países”, disse, defendendo maior coordenação para ampliar fluxos de comércio e investimento.

Para ela, o momento político inaugurado pelas visitas de Estado cria condições para elevar a ambição estratégica da parceria.

Cinco pilares estratégicos

A ministra afirmou que, a partir das agendas presidenciais, foram definidos cinco pilares de importância estratégica imediata:

• Defesa e segurança

• Segurança alimentar e nutricional

• Transição energética e ação climática

• Transformação digital e tecnologias emergentes

• Parcerias industriais

“Esses pilares refletem nossas prioridades compartilhadas e oferecem um roteiro para uma colaboração sustentada”, declarou.

Crescimento da Índia e ambiente de investimento

Hiwani Pande também destacou o desempenho recente da economia indiana. “Alcançamos cerca de 7,8% de crescimento do PIB”, afirmou, observando que o resultado superou expectativas e ficou acima do crescimento de 6,5% do ano anterior.

Ela atribuiu esse desempenho ao avanço do setor de serviços, à revitalização industrial por meio dos esquemas de incentivo à produção (PLI) e ao aumento do investimento em infraestrutura, mencionando cerca de US$ 120 bilhões em gastos de capital no período 2024-2025.

A ministra ressaltou que a Índia também vem promovendo transformação digital e previsibilidade regulatória para os negócios, além da construção de uma ampla infraestrutura digital nos últimos anos.

Recursos naturais, minerais críticos e cadeias globais

Ao falar do Brasil, Hiwani Pande destacou a abundância de recursos naturais, citando o etanol e a Floresta Amazônica como referências conhecidas na Índia desde o período escolar.

“O Brasil está verdadeiramente na linha de frente em minerais críticos como nióbio, lítio e minério de ferro”, afirmou, destacando a importância desses recursos para a transição energética e para as cadeias globais de tecnologia.

Segundo a ministra, setores como aeroespacial, automotivo e tecnologias digitais apresentam forte sinergia entre os dois países, o que pode consolidar Brasil e Índia como parceiros estratégicos nas cadeias globais de suprimentos.

“Juntos, trabalhando juntos, vemos uma relação dinâmica e voltada para o futuro. Somos duas nações e um mesmo ritmo de crescimento”, declarou.

Cultura, democracia e Sul Global

Hiwani Pande também fez referência aos laços culturais e democráticos entre os dois países. “Nossa amizade vai além do comércio. É construída sobre calor humano compartilhado, cultura, resiliência e a crença de que o progresso deve incluir todos”, afirmou.

Ela citou ainda a cooperação no campo da propriedade intelectual e mencionou a atuação do embaixador Antônio Patriota na conferência que resultou na adoção, em 2024, do tratado da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) sobre recursos genéticos e conhecimentos tradicionais, ressaltando a importância da voz do Sul Global.

Ao encerrar, a ministra afirmou: “Olhamos para frente com confiança” e reiterou o desejo de construir uma parceria forte e duradoura entre Índia e Brasil.

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