Haddad diz que reservas e energia limpa são diferenciais do Brasil para atrair investimentos
Ministro afirma em Nova Déli que solidez externa, equilíbrio fiscal e matriz energética limpa colocam país em posição privilegiada no cenário global
247 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (21), em Nova Déli, durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia, que o Brasil reúne hoje dois grandes diferenciais estratégicos para atrair investimentos internacionais: robustas reservas cambiais e uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Segundo ele, a combinação entre estabilidade macroeconômica e soberania energética cria um ambiente seguro e altamente competitivo para o capital produtivo.
Ao destacar a posição externa do país, Haddad afirmou que o Brasil é hoje “credor internacional, credor líquido internacional”. Ele lembrou que o país deixou para trás o período de fragilidade vivido nos anos 1980 e 1990 e que, sobretudo a partir dos anos 2000 e da posse do presidente Lula em 2003, passou a honrar compromissos e acumular reservas.
“Passamos a ser detentores de uma das maiores reservas cambiais do mundo, assim como a Índia”, afirmou. Segundo o ministro, esse volume de reservas funciona como “um colchão de proteção contra choques externos”, mecanismo que foi testado nas últimas décadas.
Haddad citou como exemplo a crise financeira internacional de 2008 e a pandemia de Covid-19. “O Brasil foi o último país que entrou na crise de 2008 e foi o primeiro que saiu”, declarou. Ele lembrou que, em 2010, a economia brasileira cresceu 7,5%, demonstrando a eficácia da estratégia de proteção externa.
Crescimento sustentável e ajuste fiscal
O ministro também ressaltou que o país voltou a crescer de forma sustentável desde a posse do terceiro mandato do presidente Lula. Segundo ele, a economia brasileira registra crescimento médio de 3% ao ano nos últimos três anos.
“O Brasil está crescendo desde a posse do terceiro mandato do presidente Lula a uma taxa média de 3% ao ano”, afirmou. Haddad destacou que, como o crescimento demográfico brasileiro é atualmente baixo, esse desempenho tem impacto relevante na renda per capita.
Ele também apontou melhora significativa nas contas públicas. De acordo com o ministro, o país saiu de um déficit primário crônico entre 1,5% e 2% do PIB para uma situação de equilíbrio fiscal ao final do mandato.
“Se no próximo mandato nós fizermos apenas metade do esforço feitos até aqui para corrigir os desequilíbrios das nossas contas internas, nós conseguiremos estabilizar a trajetória da nossa dívida pública e reduzir substancialmente os rumos para permitir um ciclo de desenvolvimento ainda mais forte”, declarou.
Para Haddad, com a continuidade do ajuste e das políticas de crescimento, o Brasil poderá recuperar taxas próximas a 4% ao ano, patamar observado no primeiro e no segundo mandatos do presidente Lula.
Soberania energética como vantagem competitiva
Além da estabilidade macroeconômica, Haddad enfatizou a soberania energética brasileira como um ativo central para o futuro.
“O Brasil tem, em primeiro lugar, a matriz energética mais limpa, matriz elétrica mais limpa do planeta. 90% da nossa energia elétrica tem fonte renovável”, afirmou.
Segundo ele, mais de 50% da matriz energética total do país é limpa, percentual muito acima da média global. O ministro lembrou ainda que o Brasil está entre os maiores produtores de petróleo do mundo, combinando produção de energia fóssil com liderança em renováveis.
Ele destacou o potencial da energia eólica e solar, afirmando que o país possui “o melhor vento e o melhor sol para a produção de energia limpa”. Também ressaltou a importância dos biocombustíveis.
“Hoje, toda a gasolina do Brasil é misturada na razão de 30% com etanol”, disse. No caso do biodiesel, a mistura já atinge 15%.
Haddad observou que a frota brasileira é majoritariamente Flex e caminha para um modelo híbrido Flex, combinando bateria elétrica e etanol, o que tende a reduzir ainda mais as emissões.
Energia limpa e competitividade global
Na avaliação do ministro, a matriz energética limpa será um fator decisivo de competitividade nos próximos anos, especialmente diante do aumento de barreiras não tarifárias associadas à emissão de carbono.
“Quem produzir com baixo emissão de carbono vai ter uma capacidade de competitividade muito maior”, afirmou.
Ao encerrar sua participação no Fórum Empresarial Brasil-Índia, Haddad sustentou que a combinação entre reservas internacionais robustas, equilíbrio fiscal, crescimento sustentável e liderança em energia limpa coloca o Brasil em posição privilegiada para atrair investimentos produtivos e ampliar sua inserção estratégica na economia global.


