Tarciana Medeiros diz que Banco do Brasil quer impulsionar meta de US$ 100 bilhões no comércio com a Índia
Presidente da instituição destaca cooperação em agro, energia, minerais críticos e inovação digital durante Fórum Empresarial Brasil-Índia em Nova Déli
247 – A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou neste sábado (21), em Nova Déli, durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia, que a instituição quer atuar como ponte estratégica para elevar o comércio bilateral a US$ 100 bilhões e fortalecer uma parceria estruturante entre as duas economias. Em discurso marcado por referências à história indiana e à convergência entre os dois países no BRICS, ela destacou oportunidades em agronegócio, energia, mineração, tecnologia e finanças sustentáveis.
Ao iniciar sua fala, Tarciana ressaltou o simbolismo da cidade anfitriã. “Uma cidade que simboliza ao mesmo tempo a ancestralidade de uma das civilizações mais antigas do mundo e a força de uma economia que se projeta com vigor para o futuro”, afirmou.
Ela saudou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e destacou a presença feminina no evento. “Gostaria de saudar especialmente as senhoras Otilide, Simone Lipante e Ana Teresa, a ministra Luciana Santos, e em nome delas agradecer a presença de todas as mulheres e o processo de inclusão e diversidade que tem ocorrido aqui na Índia.”
BRICS e convergência estratégica
A presidente do Banco do Brasil destacou que Brasil e Índia compartilham trajetórias semelhantes de construção nacional e visão de longo prazo.
“Estar na Índia é reconhecer um país que soube transformar sua história milenar em uma base sólida para inovação, para o crescimento econômico e para o protagonismo global”, disse. “Assim como o Brasil, a Índia construiu sua identidade conciliando diversidade cultural, desafios sociais complexos e uma visão estratégica de longo prazo.”
Ela lembrou que os dois países são parceiros no BRICS. “Não por acaso somos parceiros no BRICS, um grupo que representa mais do que economias emergentes. Representa um novo modelo de cooperação internacional múltiplo, inclusivo e orientado ao desenvolvimento dos nossos povos.”
Banco do Brasil como instrumento de desenvolvimento
Tarciana destacou o papel histórico do Banco do Brasil como instrumento de desenvolvimento nacional.
“O Banco do Brasil nasceu há mais de dois séculos com o propósito claro de ser um instrumento do desenvolvimento econômico e social”, afirmou. Segundo ela, a instituição financiou infraestrutura, apoiou o agronegócio, a indústria e o comércio, além de promover inclusão financeira.
Hoje, o banco possui “uma carteira de crédito de cerca de US$ 250 bilhões”, com crescimento consistente nos segmentos de empresas, pessoas físicas e agronegócio.
Ela ressaltou ainda a presença internacional da instituição. “Temos uma rede própria em 10 países estratégicos e uma ampla rede de bancos correspondentes que nos permite estar presentes em mais de 80 países, com capilaridade, segurança, eficiência e governança robusta.”
Meta de US$ 100 bilhões e setores prioritários
A presidente do banco defendeu ambição maior no comércio bilateral. “O comércio entre Brasil e Índia está crescendo e tem um enorme espaço para expansão e diversificação. A nossa meta é buscar os US$ 100 bilhões, como bem frisou o presidente da Apex, Jorge Viana.”
Segundo ela, há oportunidades concretas em setores estratégicos. “No Brasil, somos conhecidos como o banco do agro”, afirmou, citando também energia, mineração — especialmente metais críticos — indústria farmacêutica, tecnologia e manufatura avançada.
“O Banco do Brasil posiciona-se como parceiro financeiro capaz de conectar empresas brasileiras e indianas a soluções de câmbio, tesouraria, rede e estruturação financeira, respeitando as especificidades regulatórias de cada país”, declarou.
Digitalização e sustentabilidade
Tarciana destacou ainda a convergência tecnológica entre os dois países. “A Índia se destaca globalmente por seu ecossistema digital, por soluções de pagamentos, identificação e inclusão financeira em larga escala.”
Ela afirmou que o Banco do Brasil investe continuamente em tecnologia e vê oportunidades de cooperação em fintechs, sistemas de pagamento, inovação bancária e digitalização do comércio exterior.
Por fim, enfatizou a agenda sustentável como eixo central da parceria. “A sustentabilidade faz parte do jeito de ser do Banco do Brasil e está no centro da nossa estratégia.”
Segundo ela, há amplo espaço para iniciativas conjuntas em financiamento verde, energias renováveis, bioeconomia e transição energética. “Essas agendas não apenas fortalecem a relação bilateral, mas também posicionam nossos países como líderes responsáveis no cenário global”, concluiu.


