Lula discute redução do preço dos combustíveis com setor sucroalcooleiro
Presidente debate aumento do percentual de etanol na gasolina e combate a práticas abusivas no mercado de combustíveis
247 - O presidente Lula (PT) se reúne nesta terça-feira (9) com representantes do setor sucroalcooleiro para discutir alternativas de redução do preço dos combustíveis cobrado dos consumidores nos postos. Entre os temas em análise está a possibilidade de elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, como forma de diminuir os efeitos da alta do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio, segundo a Folha de São Paulo.
A reunião ocorre em meio à busca do governo por medidas capazes de aliviar o preço final da gasolina e reduzir a dependência de importações. Cálculos do Ministério de Minas e Energia indicam que a mudança temporária na composição do combustível poderia permitir às distribuidoras cortar a compra externa de 454 milhões de litros de gasolina em um prazo de 180 dias, período previsto para vigência da medida.
A proposta discutida pelo governo tem como pano de fundo a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, em razão da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A avaliação no Executivo é que o aumento da participação do etanol na gasolina pode funcionar como um instrumento emergencial para reduzir parte do impacto dessa volatilidade sobre o consumidor brasileiro.
Além do efeito econômico, o Ministério de Minas e Energia também vê ganhos ambientais na medida. Segundo os cálculos da pasta mencionados na reportagem, a elevação da mistura poderia reduzir as emissões de carbono em aproximadamente 552 mil toneladas de CO₂ durante o período de aplicação da regra.
Testes com E30 e E32 foram feitos em 2025
Para sustentar tecnicamente a proposta, o Ministério de Minas e Energia afirma ter realizado, em 2025, testes com misturas de 30% e 32% de etanol na gasolina, com apoio do Instituto Mauá de Tecnologia. As avaliações envolveram veículos leves e motocicletas, incluindo modelos flex e movidos apenas a gasolina.
A testagem com a mistura de 32% já atendia a exigências legais e técnicas do setor. Uma lei de 1993 determina que seja avaliado o efeito de uma composição com 1 ponto percentual acima da mistura pretendida. Outro ponto percentual adicional está relacionado a normas técnicas. Assim, ao testar a gasolina com 32% de etanol, o governo cumpria requisitos necessários para colocar a mistura de 30% nas bombas.
Lula quer discutir preço na cadeia dos combustíveis
A pauta da reunião, no entanto, não se limita à composição da gasolina. Lula também quer tratar diretamente do preço que chega aos postos de combustíveis. Segundo auxiliares do presidente, o governo tem identificado indícios de prática abusiva no caminho entre as usinas e a bomba.
Aliados do presidente afirmam que Lula pretende compreender em qual etapa da cadeia produtiva e de distribuição ocorre o aumento do preço. A preocupação do governo é identificar se a alta repassada ao consumidor decorre de fatores externos, da dinâmica de distribuição ou de distorções no percurso entre produção, comercialização e venda final.
A reunião com representantes do setor sucroalcooleiro, portanto, reúne dois objetivos centrais: avaliar uma mudança temporária na mistura de etanol na gasolina e pressionar por explicações sobre a formação do preço dos combustíveis no país. O tema ganhou urgência diante da escalada do petróleo no mercado internacional e do impacto direto sobre o custo pago pelos consumidores brasileiros.



