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Mendonça afasta servidores do BC em nova fase da operação contra Banco Master

Ministro do STF determina saída de dois funcionários ligados à supervisão bancária enquanto PF amplia investigação sobre fraudes e crimes financeiros

Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), resultou no afastamento de dois servidores do Banco Central por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorre no contexto das investigações que apuram irregularidades envolvendo o Banco Master, informa o jornal O Globo.

Os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ambos ligados ao Departamento de Supervisão Bancária (Desup), também são alvo de uma investigação administrativa aberta pela própria autoridade monetária para esclarecer possíveis falhas relacionadas ao escândalo envolvendo a instituição financeira.

Investigação interna no Banco Central

A sindicância interna foi instaurada no fim de 2025 por decisão do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O objetivo é apurar condutas e responsabilidades no episódio que culminou na liquidação do Banco Master.

Paulo Sérgio Neves de Souza, que havia comandado o Desup na gestão de Roberto Campos Neto à frente do BC, foi responsável por autorizar a aquisição do Banco Máxima pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Após a compra, a instituição passou a operar com o nome de Banco Master. Mais recentemente, Souza exercia a função de chefe-adjunto do departamento, atuando na análise da solidez e da estabilidade do sistema financeiro.

Belline Santana também esteve à frente do Departamento de Supervisão Bancária. Seu nome chegou a ser cogitado para assumir a diretoria de Fiscalização do Banco Central, atualmente ocupada por Aílton de Aquino Santos. Belline assinou diversos documentos e despachos enviados pelo BC ao Ministério Público Federal relacionados ao caso do Banco Master.

Documentos citados pela defesa

Entre os documentos assinados por Belline está um ofício encaminhado ao Ministério Público Federal relatando que uma operação considerada suspeita — envolvendo a compra de carteiras fictícias de crédito pelo Banco Master no fim de 2024 — foi posteriormente desfeita no início de 2025.

Em outro trecho do mesmo conjunto de comunicações oficiais, o servidor informou que o Banco Central não havia identificado indícios de irregularidades em operações de crédito consignado originadas pela própria instituição financeira.

Esses documentos foram posteriormente mencionados pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro em argumentações apresentadas à Justiça.

Escândalo levou à liquidação do Banco Master

O caso ganhou dimensão pública em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. A decisão implicou o encerramento das atividades da instituição, o afastamento de seus administradores e o bloqueio de patrimônio com o objetivo de garantir o pagamento de credores.

Na mesma data, a Polícia Federal iniciou uma operação para investigar suspeitas de fraudes em uma transação de venda de carteiras de crédito avaliadas em R$ 12,2 bilhões. A operação envolvia o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.

Relação com gestora também é investigada

Outra linha de investigação conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Banco Central aponta possíveis irregularidades na relação entre o Banco Master e a gestora Reag DTVM. A empresa foi liquidada em 15 de janeiro deste ano.

Segundo as apurações, o banco controlado por Daniel Vorcaro concedia empréstimos a empresas que, em seguida, direcionavam os recursos para inflar o desempenho de fundos administrados pela gestora. Após uma série de transações rápidas, os valores retornariam ao próprio Banco Master por meio da aplicação em CDBs, títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras.

Nova fase amplia investigação criminal

A terceira etapa da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, tem como objetivo aprofundar as apurações sobre possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídos a uma organização criminosa.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações desta fase contam com apoio técnico do Banco Central.

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