HOME > Economia

Apesar do tarifaço de Trump, EUA fecham 2025 com déficit de US$ 901 bilhões

Trata-se de um dos piores resultados desde 1960. China fechou o ano com superávit comercial recorde, superando US$ 1 trilhão

Guindastes no Porto de Los Angeles estão vazios de navios de carga, como mostrado por um drone em San Pedro, Califórnia, EUA, em 13 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Mike Blake)

247 - Os Estados Unidos encerraram 2025 com um déficit comercial de US$ 901,5 bilhões, um dos maiores já registrados desde 1960, mesmo após a adoção de uma ampla política tarifária pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em dezembro, o saldo negativo nas trocas de bens e serviços chegou a US$ 70,3 bilhões, acima do mês anterior, consolidando um ano marcado por forte instabilidade no comércio exterior.

 Segundo os dados oficiais, o resultado anual ocorre em meio à estratégia protecionista implementada pela Casa Branca, que elevou tarifas sobre diversos parceiros comerciais, com destaque para a China.

Enquanto o déficit americano permaneceu elevado, a China, principal alvo da ofensiva comercial de Trump, encerrou o ano com superávit superior a US$ 1 trilhão, o maior já registrado por um país. Apesar da redução das exportações chinesas diretamente aos EUA, o país asiático ampliou vendas por meio de outros mercados, especialmente na Ásia, redirecionando fluxos comerciais.

Na avaliação de Oren Klachkin, economista de mercados financeiros da Nationwide, o impacto das tarifas não alterou substancialmente o cenário. “Depois de todas as manchetes sobre tarifas e das oscilações nos dados, o déficit comercial praticamente não se alterou em 2025”, afirmou, em nota. Ele acrescentou: “Com o impacto máximo das tarifas provavelmente já tendo ficado para trás, esperamos que o comércio entre em um ritmo mais previsível”.

Os números mensais mostraram forte volatilidade ao longo de 2025, refletindo a reação de importadores norte-americanos a sucessivos anúncios tarifários. Importações de ouro e produtos farmacêuticos apresentaram oscilações expressivas, diante da tentativa de empresas anteciparem compras antes da elevação de tributos.

O resultado de dezembro superou quase todas as projeções coletadas pela Bloomberg. O aumento de 3,6% nas importações foi impulsionado principalmente por acessórios de informática e veículos automotores. Já as exportações de bens e serviços recuaram 1,7%, influenciadas sobretudo pela redução dos embarques de ouro.

Antes da divulgação do relatório comercial, a estimativa GDPNow, do Federal Reserve Bank de Atlanta, indicava que as exportações líquidas acrescentariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, estimado em 3,6%. Após os novos dados, economistas passaram a revisar as projeções, apontando contribuição menor do comércio sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

Ajustado pela inflação, o déficit de mercadorias subiu para US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior patamar desde julho. O comércio de ouro, exceto para fins industriais, não é considerado no cálculo do PIB pelo governo norte-americano.

Para Troy Durie, analista da Bloomberg Economics, o impacto sobre o crescimento pode ter sido limitado. “Com o relatório comercial de dezembro em mãos, podemos estimar que as exportações líquidas contribuíram pouco para o crescimento real do PIB no quarto trimestre. Em linha com outros dados recentes, as importações de bens de capital, lideradas por produtos relacionados à IA, continuaram a sinalizar um forte investimento doméstico no fim do ano”, afirmou.

A estratégia tarifária do presidente dos Estados Unidos busca reduzir a dependência de produtos estrangeiros, estimular investimentos internos e reverter a perda de empregos industriais. O governo também tem contestado estudos que apontam que consumidores americanos absorveram parte significativa do custo das tarifas.

Entre os pontos ainda em aberto está a decisão da Suprema Corte sobre a autoridade presidencial para impor tarifas amplas com base em legislação de emergência. O tribunal pode se manifestar nos próximos dias.

No recorte por países, o déficit com a China caiu para cerca de US$ 202 bilhões, o menor nível em mais de duas décadas. Por outro lado, os saldos negativos com México e Vietnã atingiram recordes, indicando redirecionamento de fluxos comerciais. O déficit com Taiwan também alcançou marca histórica, de US$ 146,8 bilhões, enquanto o saldo negativo com o Canadá recuou.

Artigos Relacionados