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Irã diz que ultimato de Trump é fator de risco para nova crise regional

Teerã reage a prazo de 10 a 15 dias imposto pelo presidente dos Estados Unidos e alerta para resposta decisiva em caso de ataque

Khamenei e Trump (Foto: Reuters)

247 - A escalada verbal entre Washington e Teerã ganhou novos contornos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o Irã tem entre 10 e 15 dias para fechar um “acordo significativo” com os EUA. A declaração provocou reação imediata do governo iraniano, que classificou as ameaças como fator de risco para uma nova crise regional.

Segundo a Al Jazeera, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, enviou carta ao Conselho de Segurança da ONU e ao secretário-geral António Guterres pedindo uma condenação formal às declarações de Trump. O diplomata destacou, em especial, a menção do presidente norte-americano à possibilidade de utilizar um aeródromo nas Ilhas Chagos, no Oceano Índico, em um eventual ataque contra o território iraniano.

Na carta, Iravani alertou que o contexto regional já é delicado e que as movimentações militares dos Estados Unidos ampliam a instabilidade. “Dada a situação instável na região e a movimentação e o acúmulo persistentes de equipamentos e recursos militares por parte dos Estados Unidos, uma declaração tão beligerante do Presidente dos Estados Unidos não deve ser tratada como mera retórica”, escreveu.

O representante iraniano enfatizou que Teerã “não busca tensão nem guerra e não iniciará nenhuma guerra”. Contudo, fez um alerta direto: caso o país seja alvo de ação militar, considerará “todas as bases, instalações e ativos da força hostil” na região como “alvos legítimos”.

Ultimato de 10 a 15 dias

As declarações foram feitas na quinta-feira (19), quando Trump recebeu líderes internacionais na primeira reunião oficial de seu recém-criado Conselho de Paz, em Washington. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos indicou que o tempo para um entendimento diplomático está se esgotando.

“Então, agora talvez tenhamos que dar um passo adiante, ou talvez não”, afirmou, ao voltar a mencionar a possibilidade de ação militar contra o Irã. “Talvez cheguemos a um acordo. Você provavelmente descobrirá nos próximos 10 dias.”

Mais tarde, ao falar com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump detalhou o prazo: “Eu acho que seria tempo suficiente, 10, 15 dias, praticamente, no máximo.”

O presidente também reiterou sua avaliação de que os ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, realizados em junho do ano passado, abriram caminho para o “cessar-fogo” em Gaza. Segundo ele, sem o bombardeio das instalações nucleares iranianas, a “ameaça” de Teerã teria impedido países da região de concordarem com a “paz no Oriente Médio”.

Ao comentar as negociações recentes, Trump declarou que seus assessores diplomáticos, Steve Witkoff e Jared Kushner, tiveram “reuniões muito boas” com representantes iranianos. Ainda assim, reforçou o tom de ameaça: “Precisamos chegar a um acordo significativo. Caso contrário, coisas ruins acontecerão.”

Negociações e tensão militar

As ameaças surgem dias depois de uma segunda rodada de negociações indiretas entre os dois países, descritas publicamente em termos positivos. Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as partes fizeram “bons progressos nas negociações” em Genebra e que “conseguiram chegar a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores” para um entendimento.

Apesar do diálogo diplomático, os Estados Unidos mantêm presença militar reforçada na região do Golfo, com dois porta-aviões e dezenas de aeronaves de combate.

Autoridades iranianas também reagiram às movimentações. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, escreveu na rede X: “Os americanos dizem constantemente que enviaram um navio de guerra em direção ao Irã. É claro que um navio de guerra é um equipamento militar perigoso.” Em seguida, acrescentou: “No entanto, mais perigosa do que esse navio de guerra é a arma capaz de afundá-lo.”

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