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Prévia da inflação, IPCA-15 recua para 0,44% em março

Alta de alimentos e despesas pessoais segue pressionando preços, mesmo com desaceleração do índice, aponta IBGE

Pedaços de carne (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)

247 - A prévia da inflação oficial do Brasil desacelerou em março, mas continua sob influência do aumento nos preços de alimentos e serviços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,44% no mês, recuando 0,40 ponto percentual em relação a fevereiro, quando havia registrado alta de 0,84%. O resultado reflete principalmente a pressão dos grupos Alimentação e bebidas e Despesas pessoais. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas avançou 0,88% em março, sendo responsável por 0,19 ponto percentual do índice geral, enquanto Despesas pessoais subiu 0,82%, com impacto de 0,09 ponto percentual. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 atingiu 3,90%, enquanto o IPCA-E, indicador trimestral, ficou em 1,49% entre janeiro e março.

Todos os nove grupos analisados apresentaram variação positiva no mês. Após alimentação e despesas pessoais, os demais segmentos registraram aumentos mais modestos, variando de 0,03% em Comunicação até 0,47% em Vestuário.

No segmento de alimentos, os preços dentro do domicílio aceleraram significativamente, passando de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. Entre os itens que mais subiram estão o açaí (29,95%), o feijão-carioca (19,69%), o ovo de galinha (7,54%), o leite longa vida (4,46%) e as carnes (1,45%). Em contrapartida, houve recuo nos preços do café moído (-1,76%) e das frutas (-1,31%).

A alimentação fora do domicílio apresentou desaceleração, passando de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março. O custo das refeições subiu 0,31%, abaixo do observado no mês anterior, enquanto os lanches registraram aumento mais intenso, com alta de 0,50%.

Entre os serviços, o grupo Despesas pessoais teve peso relevante no índice, com destaque para os aumentos nos serviços bancários (2,12%) e no custo do empregado doméstico (0,59%). Já o grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,36%, influenciado pelos reajustes nos planos de saúde (0,49%) e nos produtos de higiene pessoal (0,38%).

O grupo Habitação também acelerou, passando de 0,06% em fevereiro para 0,24% em março. O resultado foi impulsionado pelos reajustes na energia elétrica residencial (0,29%) e nas tarifas de água e esgoto (0,44%), com aumentos registrados em cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre. Em contrapartida, o gás encanado apresentou queda de 0,99%.

No grupo Transportes, a alta foi de 0,21%, com destaque para as passagens aéreas, que subiram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no índice do mês. Tarifas de ônibus intermunicipal e corridas de táxi também registraram aumentos, enquanto os combustíveis tiveram leve recuo de 0,03%.

No recorte regional, dez das onze áreas pesquisadas apresentaram elevação de preços em março. Recife teve a maior alta, de 0,82%, influenciada principalmente pelos preços do tomate e da gasolina. Já Curitiba registrou o menor resultado, com queda de 0,06%, puxada pela redução em itens como emplacamento e licença, frutas e combustíveis.

O IPCA-15 considera famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e abrange diversas regiões metropolitanas do país, incluindo Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília. A coleta de preços ocorreu entre 13 de fevereiro e 17 de março de 2026.

A próxima divulgação do indicador, referente ao mês de abril, está prevista para o dia 28.

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