Produção de petróleo e gás bate recorde em 2025, mas Brasil ainda enfrenta desafios,aponta Ineep
Produção chega a 4,89 milhões de boe/d e exportações atingem nível histórico
247 - A produção brasileira de petróleo e gás natural alcançou, em 2025, o maior nível já registrado, consolidando o país como um dos principais produtores globais. O avanço foi impulsionado sobretudo pela expansão das operações no pré-sal e pela entrada em funcionamento de novas plataformas offshore. Apesar disso, segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), o Brasil ainda enfrenta desafios quanto ao fortalecimento do parque de refino nacional.
Novas plataformas ampliam produção no pré-sal
Em 2025, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entraram em operação duas novas plataformas da Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos: o FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e o FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. No mesmo campo, o FPSO Marechal Duque de Caxias atingiu seu platô de produção, enquanto o Almirante Tamandaré registrou recordes operacionais.
Na Bacia de Campos, a Petrobras avançou no ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte, e Anita Garibaldi e Anna Nery, nos campos de Marlim e Voador. Também teve início a produção do FPSO Bacalhau, no campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, operado pela norueguesa Equinor.
Produção cresce 13,2% segundo a ANP
De acordo com a ANP, a produção média nacional de petróleo e gás atingiu 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em 2025, crescimento de 13,2% em relação a 2024. O resultado reflete a ampliação da capacidade instalada e o aumento da produção em unidades já em operação.
A produção de petróleo alcançou 3,7 milhões de barris por dia, alta de 12% frente ao ano anterior. Já o gás natural chegou a 1,1 milhão de boe/d, com expansão de 16,9%.
O pré-sal manteve-se como principal vetor do crescimento, com aumento de 15,1% e participação de aproximadamente 79,6% na produção nacional. O pós-sal respondeu por 15,4% do total, após crescimento de 7%, enquanto a produção em terra avançou 4,1%, representando cerca de 4,9%.
Petrobras mantém liderança, mas perde participação
A Petrobras permaneceu como a maior produtora do país, com média de 3,1 milhões de boe/d, volume 12,7% superior ao registrado em 2024. Ainda assim, sua participação relativa caiu para cerca de 63,4% da produção nacional, o menor patamar da última década.
As demais concessionárias produziram, juntas, 1,78 milhão de boe/d, alta de 14,1% na comparação anual. A Shell foi a segunda maior produtora, com 550,7 mil boe/d, seguida pela Total, com 264 mil boe/d, e pela CNOOC, com 148,6 mil boe/d. Assim como ocorre com a Petrobras, a maior parte da produção dessas empresas teve origem no pré-sal.
Exportações superam soja e minério
O aumento da produção refletiu-se diretamente nas exportações. Em 2025, o Brasil exportou, em média, 1,92 milhão de barris por dia, volume equivalente a 51% da produção nacional de petróleo, estabelecendo novo recorde histórico.
Foi o segundo ano consecutivo em que o petróleo bruto liderou a pauta de exportações brasileiras, superando produtos tradicionais como soja e minério de ferro.
Ao longo do ano, as exportações alcançaram 28 destinos. A China concentrou 45% do volume exportado, seguida pelos Estados Unidos, com 10,8%, Espanha, com 7,4%, Países Baixos, com 7%, e Índia, com 4,4%.
Expansão expõe desafio no refino
O desempenho de 2025 reforça a centralidade do pré-sal na produção nacional e confirma a trajetória de crescimento das exportações. Ao mesmo tempo, evidencia um descompasso estrutural: a ampliação acelerada da produção ocorre sem expansão equivalente da capacidade de refino.
Segundo o Ineep, o país tem se consolidado como exportador de petróleo bruto, enquanto permanece dependente da importação de derivados, mantendo o debate sobre a necessidade de fortalecimento do parque de refino nacional.


