HOME > Economia

Serviços recuam 0,1% em novembro, diz IBGE

Queda foi puxada principalmente pelo setor de transportes, enquanto informação e comunicação seguem como motor do crescimento em 2025

Avião da Azul decola do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro - 17/01/2025 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

247 - O volume de serviços no Brasil registrou variação negativa de 0,1% em novembro de 2025, na comparação com outubro, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de crescimento, período em que o setor havia acumulado ganho de 3,8%, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira.

As informações fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do recuo pontual, o setor permanece em patamar elevado, operando 20,0% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, e apenas 0,1% abaixo do recorde histórico alcançado em outubro deste ano.

Na análise por atividades, duas das cinco investigadas apresentaram queda frente ao mês anterior. O maior impacto negativo veio do segmento de transportes, que recuou 1,4%, seguido por informação e comunicação, com retração de 0,7%. Em sentido oposto, os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 1,3%, enquanto o grupo de outros serviços cresceu 0,5%. Já os serviços prestados às famílias ficaram estáveis no período.

Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, Rodrigo Lobo, o desempenho de novembro reflete uma acomodação após o setor atingir seu ponto máximo histórico no mês anterior. “O resultado reflete uma certa manutenção do setor de serviços em patamares elevados, já que no mês anterior o setor havia alcançado o topo da sua série histórica, iniciada em janeiro de 2011. Para o mês de novembro, há um equilíbrio entre taxas negativas e positivas. O destaque no campo negativo fica no setor de transportes, pressionado pelo transporte aéreo, transporte rodoviário coletivo de passageiros, transporte dutoviário e logística de cargas”, afirmou.

Na comparação com novembro de 2024, o volume de serviços cresceu 2,5%, marcando o vigésimo resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Quatro das cinco atividades pesquisadas contribuíram para esse avanço, alcançando 47,6% dos 166 tipos de serviços investigados. Os principais destaques foram informação e comunicação, com alta de 3,4%, e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que cresceram 2,5%. Apenas os serviços prestados às famílias apresentaram influência negativa, ao recuar 1,0%, impactados pela menor receita de restaurantes, hotéis e atividades culturais.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o setor de serviços avançou 2,7% frente ao mesmo período do ano anterior. O segmento de informação e comunicação liderou os ganhos, com crescimento de 5,4%, impulsionado por atividades ligadas à tecnologia da informação, como desenvolvimento de softwares, consultoria em TI, hospedagem de dados e serviços digitais. “Desde o pós-pandemia o segmento de informação e comunicação tem mostrado grande dinamismo”, explicou Lobo. “Os serviços de TI têm sido um dos motores do setor de serviços nos últimos anos e isso continua a se confirmar ao longo do ano de 2025.”

As atividades turísticas também apresentaram desempenho positivo em novembro, com avanço de 0,2% frente a outubro, acumulando o quarto resultado positivo seguido. Com isso, o setor passou a operar 13,0% acima do nível pré-pandemia e apenas 0,8% abaixo do pico histórico registrado em dezembro de 2024. De acordo com o IBGE, o resultado reflete leve recuperação após perdas observadas entre maio e julho. “Em novembro, como o resultado foi muito próximo da estabilidade, não tivemos movimentos muito expressivos, mas podemos dizer que as receitas dos restaurantes tiveram um ligeiro predomínio sobre o recuo observado no transporte aéreo de passageiros”, avaliou o gerente da pesquisa.

No recorte regional, oito das 17 unidades da federação pesquisadas apresentaram crescimento no turismo em relação a outubro, com destaque para São Paulo, Bahia, Pará e Goiás. Já Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Sul registraram as principais quedas. Na comparação anual, o turismo cresceu 2,1% em novembro, com altas em 14 estados.

O transporte de passageiros apresentou retração de 0,5% no mês, enquanto o transporte de cargas teve leve recuo de 0,1%. Ainda assim, ambos os segmentos seguem bem acima dos níveis observados antes da pandemia, especialmente o transporte de cargas, que opera 40,5% acima do patamar de fevereiro de 2020.

Um dos destaques regionais do mês foi o Pará, impulsionado pelos efeitos econômicos da realização da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro. O volume de serviços no estado registrou o segundo avanço consecutivo, acumulando alta de 4,9% e atingindo o maior nível da série histórica. Atividades ligadas a transporte aéreo, hospedagem, alimentação, locação de veículos e serviços de apoio foram as que mais contribuíram para o resultado, evidenciando os impactos econômicos associados à realização do evento internacional.

A Pesquisa Mensal de Serviços acompanha a receita bruta das empresas do setor formal com 20 ou mais empregados, excluindo os segmentos de saúde e educação. A próxima divulgação, referente a dezembro de 2025, está prevista para 12 de fevereiro de 2026.

Artigos Relacionados