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União Europeia pode decidir sobre acordo com Mercosul "até o final de semana"

Declaração foi feita nesta quarta-feira (7), após uma reunião extraordinária dos ministros da Agricultura do bloco europeu, realizada em Bruxelas

Bandeiras do Mercosul e União Europeia (Foto: Bandeiras do Mercosul e União Europeia)

247 - A União Europeia pode estar prestes a tomar nos próximos dias uma decisão definitiva sobre o acordo comercial com o Mercosul, após anos de negociações marcadas por divergências políticas e pressões de setores estratégicos. Segundo a ministra da Agricultura do Chipre, Maria Panayiotou, país que assumiu em 2026 a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, o bloco pretende deliberar sobre o tratado “até o final da semana”. A declaração foi feita nesta quarta-feira (7), após uma reunião extraordinária dos ministros da Agricultura, realizada em Bruxelas. As informações são da agência ANSA

Decisão pode ocorrer após reunião de embaixadores

De acordo com Panayiotou, a discussão deve avançar formalmente durante a reunião dos embaixadores dos países-membros da União Europeia, prevista para sexta-feira (9). “Pretendemos discutir e tentar chegar a uma decisão sobre o acordo com o Mercosul e os instrumentos de salvaguarda relacionados no final desta semana”, afirmou a ministra à imprensa. O encontro é considerado decisivo para avaliar se há consenso suficiente entre os governos nacionais para aprovar o tratado, que busca ampliar o livre comércio entre os países europeus e os integrantes do Mercosul.

Resistências internas atrasam conclusão do tratado

A conclusão do acordo vem sendo adiada principalmente devido à resistência de países como França e Itália, que defendem garantias adicionais para seus setores agropecuários. Esses governos argumentam que produtores europeus poderiam enfrentar concorrência desigual caso o tratado seja implementado sem salvaguardas específicas. As preocupações estão relacionadas, sobretudo, às normas trabalhistas e fitossanitárias adotadas pelos países sul-americanos, consideradas menos rigorosas por parte dos agricultores europeus.

Itália sinaliza apoio e pode destravar acordo

Em dezembro, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, indicou disposição para apoiar o acordo durante conversa com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, ela afirmou ser favorável ao tratado de livre comércio, ressaltando apenas a necessidade de mais algumas semanas para convencer os agricultores italianos. Nos bastidores da União Europeia, um aval formal da Itália é visto como suficiente para garantir a aprovação do acordo, mesmo que a França mantenha sua oposição.

Regras agrícolas e fitossanitárias no centro do debate

A principal exigência do governo italiano é que o texto final assegure reciprocidade ao setor agropecuário, especialmente no cumprimento de regras trabalhistas e fitossanitárias. Autoridades europeias apontam que alguns pesticidas proibidos na União Europeia continuam sendo amplamente utilizados por produtores sul-americanos, o que gera preocupação entre agricultores do bloco.

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