Brasil aposta em novo cenário internacional para destravar acordo Mercosul-UE
Governo avalia que ofensiva dos EUA na Venezuela aumenta pressão sobre a União Europeia para concluir tratado comercial com o bloco sul-americano
247 - O governo brasileiro avalia que o novo cenário geopolítico, marcado pelo aumento da presença dos Estados Unidos na América do Sul, pode funcionar como um fator de pressão adicional para que a União Europeia avance no acordo de livre comércio com o Mercosul. Em Brasília, segundo Gustavo Uribe, da CNN Brasil, a leitura é de que a intensificação da influência norte-americana na região tende a alterar o equilíbrio de interesses comerciais europeus, acelerando a busca por consensos internos no bloco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende retomar o diálogo direto com líderes europeus, incluindo uma nova conversa telefônica com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ainda neste mês. No fim do ano passado, Meloni solicitou a Lula um prazo adicional de cerca de um mês para reduzir a resistência política interna ao acordo, especialmente entre setores ligados à agricultura. A Itália, ao lado da França, liderou o movimento que impediu a conclusão do tratado no mês passado, sob o argumento de que ainda faltariam garantias suficientes para proteger os produtores rurais europeus.
Dentro do governo brasileiro, a avaliação é de que a tentativa de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de ampliar a influência norte-americana na América do Sul — em especial após a ação militar dos EUA na Venezuela — tende a impactar diretamente os acordos comerciais mantidos pela União Europeia. O entendimento é que cresce, em Bruxelas, a percepção de perda de espaço diante de uma nova ordem geopolítica protagonizada por Estados Unidos e China.
Lula já deixou claro a interlocutores que, caso o acordo com o Mercosul não seja fechado no início deste ano, o Brasil pode abandonar as negociações e concentrar esforços no fortalecimento das relações comerciais com seus principais parceiros econômicos, especialmente China e Estados Unidos.
Diante desse cenário de pressão política e econômica, a União Europeia busca chegar a um entendimento até o fim de janeiro, temendo a perda de mercados estratégicos na América do Sul. Um porta-voz da Comissão Europeia informou à agência Reuters que houve avanços nas últimas semanas rumo à assinatura do acordo e indicou que um anúncio oficial sobre o tema pode ocorrer em breve.



