Varejo brasileiro cresce 0,4% em janeiro, diz IBGE
Resultado ndica estabilidade no início de 2026, com destaque para o avanço das vendas de produtos farmacêuticos
247 - O volume de vendas do comércio varejista brasileiro registrou variação positiva de 0,4% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, indicando um cenário de estabilidade com leve crescimento no início do ano. O desempenho mantém o setor em um patamar elevado e marca o ponto mais alto da série histórica com ajuste sazonal.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). O levantamento acompanha a evolução do varejo no país e mede a variação do volume de vendas e da receita nominal do setor.
De acordo com Cristiano Santos, gerente da PMC, mesmo com um avanço modesto, o resultado representa um marco importante para o setor varejista. “Apesar da variação baixa, até interpretada mais como estabilidade na passagem de dezembro para janeiro, a taxa positiva faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da margem, igualando-se, em volume, a novembro de 2025. É bom lembrar que renovações do pico não são tão comuns assim. Antes dessas duas (novembro de 2025 e janeiro de 2026), tinha sido em março de 2025”.
Farmacêuticos lideram crescimento no varejo
Entre os segmentos analisados pela pesquisa, o destaque foi o setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que apresentou a maior alta entre as oito atividades pesquisadas, com avanço de 2,6% em janeiro.
Segundo Cristiano Santos, o bom desempenho do setor tem sido determinante para sustentar o nível elevado das vendas do varejo brasileiro. “Esse desempenho, de variação próximo à estabilidade e patamar alto a médio e longo prazos, tem como protagonista a atividade farmacêutica, que, à exceção do mês de dezembro, tem apresentado crescimento constante na série da margem desde julho de 2025, registrando em janeiro a maior variação (2,6%) dentre as oito atividades pesquisadas”.
Além do setor farmacêutico, outras três atividades também registraram crescimento no período: tecidos, vestuário e calçados (1,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%).
Já o segmento de móveis e eletrodomésticos apresentou estabilidade, com variação nula. Três setores tiveram queda nas vendas: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e combustíveis e lubrificantes (-1,3%).
Queda em eletrônicos após período de forte crescimento
Entre os setores que recuaram, o destaque foi a retração nas vendas de equipamentos de informática e comunicação. O gerente da pesquisa atribui o resultado a fatores conjunturais do mercado.
“Depois de um forte crescimento nos três meses anteriores, janeiro veio com uma queda de 9,3%. Esse setor é especialmente afetado pela variação do dólar e em épocas de alta volatilidade, as empresas aproveitam para repor seus estoques em momentos de valorização do real para depois decidir o melhor momento de fazer promoções. Além disso, o setor vem de uma black Friday e também um Natal mais forte em vendas”, explicou Santos.
Varejo ampliado mantém trajetória de crescimento
No chamado comércio varejista ampliado — que inclui veículos e materiais de construção — houve crescimento de 0,9% em janeiro frente a dezembro de 2025, marcando a décima taxa consecutiva de alta nessa base de comparação.
Os dois segmentos que compõem esse indicador registraram resultados positivos. As vendas de veículos, motos, partes e peças avançaram 2,8%, enquanto o setor de material de construção cresceu 3,4%.
Crescimento anual alcança a maior parte do país
Na comparação com janeiro de 2025, o volume de vendas do varejo nacional avançou 2,8%, com crescimento em seis das oito atividades pesquisadas. Os maiores aumentos foram registrados em móveis e eletrodomésticos (6,1%), equipamentos de informática e comunicação (5,6%) e artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (5,1%).
Também apresentaram desempenho positivo hiper e supermercados (2,9%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,5%) e tecidos, vestuário e calçados (0,8%).
No varejo ampliado, entretanto, houve retração nas vendas de veículos (-3,3%) e de material de construção (-2,3%), enquanto o atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou crescimento de 2,0%.
Avanço em quase todos os estados brasileiros
O crescimento do varejo também se refletiu no desempenho regional. Na comparação com janeiro de 2025, 26 das 27 unidades da federação registraram aumento no volume de vendas.
Os maiores avanços ocorreram em Pernambuco (11,4%), Rondônia (11,2%) e no Distrito Federal (6,9%). Apenas o Piauí apresentou queda, com recuo de 0,6%.
No varejo ampliado, 21 estados tiveram crescimento, com destaque para Mato Grosso (9,1%), Tocantins (9,0%) e Rondônia (8,1%). As maiores quedas foram registradas no Piauí (-2,5%), em São Paulo (-1,9%) e no Rio Grande do Sul (-1,9%).


