Inflação em baixa histórica deve impulsionar pequenos negócios em 2026
Previsão de IPCA em 4,05%, queda da Selic e crescimento do PIB indicam cenário mais favorável para micro e pequenas empresas no próximo ano
247 - O ano de 2026 tende a apresentar um ambiente econômico mais favorável para os pequenos negócios no Brasil, com inflação controlada, juros em trajetória de queda e expansão moderada da atividade econômica. As projeções mais recentes do mercado financeiro indicam que o país pode registrar um dos menores índices inflacionários desde a criação do Plano Real, abrindo espaço para aumento do consumo, do investimento e da geração de empregos.
De acordo com o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (12), e repercutido pela Agência Sebrae de Notícias (ASN Nacional), a expectativa é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2026 em 4,05%. Caso o número se confirme, será o quinto menor resultado anual desde 1994, ficando acima apenas dos índices registrados em 1998, 2006, 2017 e 2018.
A projeção representa nova revisão para baixo em relação às semanas anteriores. Há um mês, a estimativa do mercado era de 4,10%. Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, abaixo do teto de 4,5% definido pelo governo federal. Para os anos seguintes, as previsões apontam inflação de 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, avalia que o cenário de inflação mais baixa tende a beneficiar diretamente os pequenos negócios, que são responsáveis por parcela significativa da atividade econômica nacional. “Com inflação mais baixa, crescem a confiança, o consumo e o investimento – especialmente no maior motor da economia brasileira: os pequenos negócios. Quando os pequenos negócios crescem, toda a população se beneficia. E quando eles avançam, o Brasil cresce junto”, afirmou.
O IPCA, utilizado como referência da inflação oficial, mede o custo de vida de famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos. O índice é calculado a partir da coleta de preços de 377 subitens de produtos e serviços em diversas regiões do país, incluindo dez regiões metropolitanas, o Distrito Federal e capitais como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Além do controle inflacionário, as projeções para a atividade econômica também indicam um cenário de relativa estabilidade. O mercado estima crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Embora o ritmo seja inferior ao registrado em 2025, quando a economia avançou 2,3%, as expectativas apontam manutenção desse patamar em 2027 e aceleração para 2% em 2028.
Outro fator considerado decisivo para o fortalecimento da economia é a trajetória da taxa básica de juros. Atualmente em 15%, a Selic deve recuar para 12,25% até o fim de 2026, segundo o Boletim Focus. A redução dos juros tende a baratear o crédito, estimulando o consumo das famílias e os investimentos produtivos, especialmente entre micro e pequenas empresas.
Os indicadores recentes de emprego reforçam esse movimento. Entre janeiro e novembro de 2025, mais de 1,3 milhão de trabalhadores foram contratados com carteira assinada por micro e pequenas empresas, conforme levantamento do Sebrae com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Somente em novembro, cerca de 70% das vagas formais criadas no país tiveram origem nesse segmento, superando inclusive o total de contratações registradas ao longo de todo o ano de 2024, que somou 1,22 milhão de postos de trabalho.


