Sebrae investe em IA para facilitar registro de marcas e reduzir erros no INPI
Projeto financiado pelo Sebrae usa inteligência artificial para tornar o registro de marcas mais simples, rápido e acessível aos pequenos negócios
247 - O Sebrae passou a apoiar um projeto estratégico que utiliza inteligência artificial para simplificar o processo de registro de marcas no Brasil, com foco especial em micro e pequenas empresas e pessoas físicas. A iniciativa busca reduzir erros nos pedidos, agilizar as análises técnicas e ampliar o acesso ao sistema de propriedade industrial, tornando o procedimento mais intuitivo para quem não possui conhecimento especializado.
A informação foi divulgada originalmente pela Agência Sebrae de Notícias (ASN Nacional). O projeto foi apresentado em dezembro durante o evento online “Depósito de Marcas com IA”, promovido em parceria pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), pelo Sebrae e pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
A solução é resultado de um acordo de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PDI) firmado entre as três instituições, com investimento total de R$ 1,65 milhão, integralmente financiado pelo Sebrae. O projeto teve início em 2025 e segue em desenvolvimento até 2027, com o objetivo de aprimorar a experiência do usuário e fortalecer o sistema brasileiro de registro de marcas.
Segundo o analista de Inovação do Sebrae Nacional, Agnaldo Dantas, a iniciativa atende a uma demanda concreta dos pequenos negócios, que concentram a maior parte dos pedidos de registro no país. “A maioria dos pedidos de registro de marca é feita por micro e pequenas empresas e também por pessoas físicas. São mais de 30 mil solicitações por mês nesse perfil. Entendemos que era fundamental desenvolver um formulário que facilitasse esse acesso, sem exigir conhecimento técnico profundo”, afirmou.
Do ponto de vista do INPI, o projeto tem potencial para elevar a qualidade técnica das solicitações. Para o diretor de Marcas, Desenhos Industriais e Indicações Geográficas do instituto, Alexandre Lopes Lourenço, a proposta é tornar o preenchimento mais orientado ao usuário, contribuindo para análises mais precisas e decisões mais consistentes no exame das marcas.
A iniciativa prevê duas entregas principais. A primeira já foi concluída e consiste em um módulo voltado aos examinadores do INPI, que utiliza inteligência artificial para apoiar a análise e a checagem de marcas, aumentando a agilidade e a precisão do exame técnico. A segunda etapa, atualmente em implementação, é o formulário inteligente destinado aos usuários finais, apresentado em versão de protótipo durante o evento.
Entre as funcionalidades previstas estão o apoio da IA na classificação de produtos e serviços, a análise prévia de possíveis impedimentos ao registro, a possibilidade de depositar a mesma marca em diferentes classes em um único envio e a emissão automática da Guia de Recolhimento da União (GRU) ao final do processo. A ferramenta também verifica o uso de nomes e imagens associados à marca, reduzindo falhas no preenchimento dos pedidos.
De acordo com Agnaldo Dantas, os benefícios esperados atingem tanto os empreendedores quanto o próprio sistema de análise do INPI. “O que se espera ao final é uma maior assertividade no pedido pelos pequenos negócios, que vão ter menos possibilidade de rejeição da marca futuramente pelo INPI, e maior velocidade na análise das marcas pelos próprios examinadores, que também poderão contar com o apoio de um sistema de IA para agilizar o exame”, destacou.
A apresentação pública do protótipo marcou a primeira escuta estruturada dos usuários, com o objetivo de coletar sugestões e promover ajustes antes da implementação final da ferramenta, reforçando a proposta de um sistema mais acessível, eficiente e alinhado às necessidades dos pequenos negócios brasileiros.


