“A candidatura de Flávio Bolsonaro já se inviabilizou”, diz Genoino sobre crise do clã bolsonarista
Ex-presidente do PT afirma que desgaste político da família Bolsonaro expõe fragilidade da extrema direita e aprofunda crise no campo conservador
247 - O ex-presidente do PT José Genoino afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro sofreu um abalo irreversível diante das investigações envolvendo o Banco Master, relações financeiras da família Bolsonaro e suspeitas de uso político de recursos públicos. Em entrevista ao Bom Dia 247, Genoino avaliou que o senador entrou em um processo de desgaste contínuo e que a própria direita enfrenta dificuldades para encontrar uma alternativa fora do núcleo familiar bolsonarista.
“A candidatura do Flávio foi atingida. É uma candidatura que tende a se desgastar cada vez mais, porque existem explicações que ele ainda não deu. Há contradições envolvendo a produtora do filme, o advogado do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e as emendas do orçamento. Vai correr muita água por essa ponte”, afirmou.
Para Genoino, a crise atual vai além do impacto eleitoral imediato e revela um impasse estrutural da extrema direita brasileira. Segundo ele, a família Bolsonaro se transformou em uma espécie de partido político próprio, incapaz de transferir sua base social para lideranças conservadoras tradicionais.
“A família Bolsonaro virou uma espécie de partido da extrema direita. Eles não querem abrir mão de ter alguém da família como candidato porque querem preservar a força política e social desse núcleo familiar. Essa é a contradição deles: ou mantêm o Flávio numa candidatura decadente ou tentam lançar Michele Bolsonaro”, disse.
Na avaliação do dirigente petista, setores do mercado financeiro, do agronegócio e da grande mídia já demonstram desconforto com o desgaste político do senador. “Os setores do mercado e da grande mídia sabem que é uma candidatura fragilizada, mas também não conseguem construir facilmente um nome de fora da família Bolsonaro”, afirmou.
Genoino também citou a entrevista concedida recentemente por Flávio Bolsonaro à GloboNews como um marco do enfraquecimento político do senador. “Ele mostrou muita fragilidade intelectual naquela entrevista. Ficou evidente a dificuldade de responder às perguntas”, declarou.
Durante a entrevista, o ex-presidente do PT defendeu que as investigações avancem sobre os vínculos financeiros do clã Bolsonaro. Ele mencionou suspeitas relacionadas ao financiamento de produções audiovisuais, uso de emendas parlamentares e conexões políticas no Rio de Janeiro.
“Nós temos que insistir na denúncia e cobrar as investigações. O financiamento do filme, as emendas parlamentares, a relação com operadores financeiros, tudo isso precisa ser esclarecido”, afirmou.
Genoino disse ainda que o caso atinge diretamente a narrativa moral construída pelo bolsonarismo nos últimos anos. “Eles apareceram como donos da moral, mas o que surge agora mostra intimidade com interesses privados, financiamento obscuro e promiscuidade política. Há muita hipocrisia nisso tudo”, declarou.
Segundo ele, a crise da família Bolsonaro ocorre em um momento de reorganização do cenário político nacional, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve priorizar uma agenda voltada à soberania nacional e às pautas populares.
“O Lula está certo em tratar isso como caso de polícia, e não como disputa política. Ao mesmo tempo, o governo precisa dialogar com o povo, apresentar propostas concretas e mostrar que existe um caminho alternativo a essa bandalheira”, disse.
Para Genoino, a disputa eleitoral de 2026 será marcada por forte tensão política e institucional. “Essa eleição não é para amadores. A classe dominante brasileira sempre tenta construir alternativas contra governos populares. Nós temos que estar atentos e disputar politicamente cada espaço”, afirmou.
Ele também alertou para o risco de setores conservadores tentarem reorganizar a direita em torno de novos nomes. “A grande mídia e o mercado vão procurar algum aventureiro para enfrentar o Lula. Já estão ensaiando isso. Por isso, a esquerda precisa manter uma mobilização permanente e apresentar um programa claro para o país”, concluiu.



