“De milícia Flávio Bolsonaro entende”, diz Helder Salomão após denúncias sobre Banco Master
Deputado do PT afirma que relação entre senador e banqueiro Daniel Vorcaro indica proximidade incompatível com função pública
247 - O deputado federal Helder Salomão (PT-ES) afirmou que a situação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, tornou “insustentável” a candidatura do parlamentar à Presidência da República. Em entrevista ao Boa Noite 247, Salomão relacionou o caso a suspeitas de lavagem de dinheiro, citou investigações em andamento e defendeu novas medidas no Congresso e nos órgãos de controle.
Segundo o deputado, as revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro apontam para um vínculo que ultrapassa os limites institucionais. “Nós não estamos falando de uma relação republicana. Nós estamos falando de uma relação de promiscuidade entre um senador da República e um presidente de banco que praticou a maior fraude bancária da história brasileira”, declarou.
Salomão afirmou que o conteúdo dos diálogos divulgados envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro reforça suspeitas sobre o uso de recursos financeiros. “Fica evidente que o dinheiro não era só para o filme. E olhe lá se o dinheiro era para o filme. É uma suspeita enorme que se levanta sobre lavagem de dinheiro”, disse.
Ao comentar a linguagem usada por Flávio Bolsonaro em conversas atribuídas ao caso, Helder Salomão associou o comportamento do senador ao histórico de relações do clã Bolsonaro com milicianos. “De milícia Flávio Bolsonaro entende, porque ele já homenageou milicianos, já empregou em seu gabinete esposa de milicianos. Eles têm muita relação com a milícia”, afirmou.
O deputado também retomou acusações antigas contra o senador relacionadas ao caso das “rachadinhas” e ao funcionamento de uma franquia de chocolates investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. “Ele entende muito de lavagem e dinheiro. Afinal, ele abriu aquela loja de chocolate para lavar dinheiro. Entende de rachadinha”, declarou.
Na avaliação de Salomão, há um movimento político no Congresso para evitar o aprofundamento das investigações sobre o Banco Master. O parlamentar afirmou que a base governista vai pressionar pela instalação de uma CPMI para investigar o caso e anunciou medidas junto à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Conselho de Ética do Senado.
“Enquanto nós queremos a investigação a fundo, eles querem investigar somente aquilo que interessa a eles”, afirmou. Segundo ele, houve um “grande acordão” no Congresso para impedir o avanço das apurações envolvendo o banco e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Helder Salomão também declarou acreditar que novas denúncias devem surgir nos próximos dias. “Eu tenho certeza de outra coisa: nós teremos desdobramentos deste caso do Flávio Bolsonaro. Virão outras notícias e outras informações que vão afundar ainda mais”, disse.
Durante a entrevista, o deputado citou ainda o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ao comentar decisões relacionadas ao Banco Master e operações financeiras envolvendo aliados do bolsonarismo.
Para Salomão, o caso evidencia um padrão de atuação política e financeira do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “O que aconteceu hoje mostra que o clã Bolsonaro está envolvido até o último fio de cabelo”, afirmou.



