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“A China é agora a nação indispensável do mundo”, diz Pepe Escobar sobre encontro histórico entre Putin e Xi

Análise aponta que Rússia e China formalizaram uma nova etapa da ordem multipolar durante reunião estratégica em Pequim

Presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping (Foto: 黄敬文 Xinhua)
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247 - O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping, realizado em Pequim, representa um dos acontecimentos mais decisivos da geopolítica contemporânea. A análise foi apresentada no Pepe Café, canal comandado por Escobar no YouTube, diretamente de Xangai, na China.

Segundo o analista, a visita relâmpago de Putin à capital chinesa resultou em uma declaração conjunta de enorme alcance estratégico, consolidando Rússia e China como os principais articuladores de uma nova ordem multipolar. Para Escobar, o documento assinado pelos dois líderes simboliza a formalização do chamado “século da Eurásia”.

“Essa declaração é para o planeta inteiro. Rússia e China estão conduzindo a transição para um novo sistema internacional”, afirmou.

Putin permaneceu menos de 24 horas em Pequim, mas participou de uma intensa agenda diplomática ao lado da cúpula do governo chinês. O presidente russo chegou acompanhado de ministros, assessores estratégicos e dirigentes de grandes empresas russas, enquanto Xi Jinping mobilizou integrantes centrais do aparato estatal chinês para recebê-lo.

De acordo com Escobar, um dos momentos mais importantes da visita foi uma longa conversa privada entre os dois líderes durante uma cerimônia de chá reservada às delegações mais próximas. O encontro teria durado quase duas horas.

Embora os detalhes da reunião permaneçam sob sigilo, o analista afirmou que temas centrais dominaram as conversas, incluindo a guerra na Ucrânia, o cenário envolvendo Irã e Estados Unidos e o aprofundamento da parceria estratégica sino-russa diante do que classificou como “império do caos”.

“O que está em jogo é como Rússia e China vão lidar com um sistema internacional em desintegração e com as guerras híbridas promovidas pelo Ocidente”, disse.

Escobar destacou que a declaração conjunta faz críticas diretas ao unilateralismo e à tentativa de determinadas potências de impor sua vontade ao restante do mundo. Um dos conceitos centrais do documento é o “policentrismo”, entendido como a construção de um sistema internacional baseado em múltiplos centros de poder.

“A hegemonia no mundo é inaceitável e deveria ser proibida”, ressaltou o jornalista ao citar um dos trechos mais fortes do texto assinado por Moscou e Pequim.

Outro ponto enfatizado na análise foi a defesa de uma nova arquitetura global de segurança baseada no princípio da indivisibilidade da segurança coletiva — ideia segundo a qual nenhum país pode garantir sua própria proteção ameaçando outras nações.

Segundo Escobar, o documento também condena guerras híbridas, sanções unilaterais e a expansão de alianças militares, numa referência direta à Otan e à política externa dos Estados Unidos.

Além do aspecto geopolítico, o analista chamou atenção para a dimensão civilizacional da parceria entre Rússia e China. A declaração destaca a diversidade cultural, a igualdade soberana entre os países e o respeito mútuo entre diferentes modelos políticos e sociais.

“O sistema espiritual e moral de qualquer civilização não pode ser considerado superior”, observou Escobar ao comentar outro trecho do documento.

Para o jornalista, a aproximação entre Xi Jinping e Vladimir Putin vai além da diplomacia tradicional e se apoia numa relação pessoal construída ao longo de décadas. Ele relembrou a visita de Xi ao Kremlin em 2023, quando o líder chinês afirmou a Putin que ambos estavam conduzindo “mudanças não vistas há cem anos”.

“Agora essa visão foi formalizada em Pequim”, afirmou.

Durante a transmissão, Escobar também relatou sua experiência em Xangai, onde participou de uma conferência sobre inteligência artificial diante de estudantes e professores chineses. Segundo ele, os debates revelaram a velocidade da transformação tecnológica chinesa e o nível de preparação da juventude do país para um novo ciclo econômico baseado em inteligência artificial.

O analista destacou ainda a importância da confiança e das relações interpessoais na cultura política chinesa, classificando esse elemento como central para a estratégia internacional de Pequim.

Ao final da análise, Pepe Escobar afirmou que a China assumiu definitivamente o papel de principal potência estratégica do planeta e alertou para a intensificação das tensões globais nos próximos anos.

“A China é agora a nova nação indispensável do mundo. E isso o Ocidente ainda não conseguiu admitir”, concluiu.

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