“Banco Master cresceu no governo Bolsonaro”, diz Jorge Folena
Advogado afirma que expansão da instituição ocorreu em ambiente de desregulação estatal e ausência de fiscalização durante a gestão de Jair Bolsonaro
247 - O advogado e cientista político Jorge Folena afirmou que a expansão do Banco Master ocorreu no período do governo de Jair Bolsonaro, associando o crescimento da instituição a um contexto de redução da fiscalização estatal e mudanças regulatórias no país. Segundo ele, a trajetória recente do banco precisa ser analisada à luz das políticas econômicas adotadas naquele período.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, em meio ao debate sobre o caso envolvendo o banco e as investigações que cercam seu controlador, Daniel Vorcaro.
Folena sustenta que a origem e a evolução da instituição financeira devem ser examinadas para compreender o cenário atual. “O Banco Master não era Banco Master, ele era um banco pequeno, Banco Máximo. E esse banco começa a ganhar destaque exatamente a partir de 2019”, afirmou.
De acordo com o advogado, o momento coincide com o início do governo de Jair Bolsonaro e com a implementação de medidas que, em sua avaliação, reduziram mecanismos de fiscalização do Estado. “O crescimento do Banco Master vai se dar durante o governo de Bolsonaro, com todas as facilidades criadas para o Bolsonaro, pelo Banco Central”, declarou.
Ambiente de desregulação
Na entrevista, Folena relacionou a expansão do banco ao conjunto de medidas econômicas adotadas pela equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele destacou a chamada Lei da Liberdade Econômica, aprovada durante o governo Bolsonaro, como um marco dessa política.
Segundo o advogado, a legislação e as mudanças administrativas do período contribuíram para enfraquecer estruturas de fiscalização. “A lei da liberdade econômica introduzida por Bolsonaro e Paulo Guedes é a lei que no governo de Bolsonaro fez que não houvesse fiscalização nenhuma no poder público”, disse.
Folena também mencionou alterações institucionais que, segundo ele, afetaram órgãos de controle e supervisão estatal. “O Ministério do Trabalho deixou de existir, foi absorvido pelo super Ministério da Economia. O Ministério da Previdência Social deixou de existir no início do governo de Bolsonaro”, afirmou.
Na avaliação do cientista político, esse processo abriu espaço para irregularidades em diferentes setores. “Se você tem um governo que desaparelha o Estado, o poder público, abre caminho para que o ilícito ocupe os espaços dentro das atividades chamadas lícitas”, declarou.
Relação com investigações recentes
O advogado afirmou que a trajetória do Banco Master precisa ser considerada nas discussões sobre os fatos que atualmente estão sob investigação policial. Ele citou, por exemplo, a atuação da Polícia Federal em apurações envolvendo o controlador da instituição.
Para Folena, a análise sobre o banco deveria incluir o período de expansão ocorrido nos anos anteriores. “Isso precisa ser debatido, porque o nome do Bolsonaro, o nome do Paulo Guedes e de outros agentes do governo não estão sendo debatidos”, afirmou.
Ele argumenta que compreender o contexto político e econômico do período é essencial para entender como determinadas instituições ganharam projeção. “O Banco Master está inserido exatamente nesse momento”, declarou.
Segundo Folena, o debate público sobre o caso precisa considerar o cenário institucional da época em que ocorreu a expansão do banco. “Se você tem um governo que reduz fiscalização e controle, cria um ambiente em que atividades irregulares podem ocupar espaços dentro da economia formal”, disse.


