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Flávio Bolsonaro assina pedido de CPMI do Master, mas pede investigação de Galípolo – e não de Campos Neto

Atual presidente do Banco Central determinou a liquidação do banco, enquanto o antecessor permitiu a farra

Senador Flávio Bolsonaro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta segunda-feira (9) que assinou um pedido para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar supostas relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A iniciativa também busca apurar possíveis responsabilidades no escândalo envolvendo a instituição financeira.

O parlamentar afirmou que pretende incluir nas apurações o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mas não mencionou o ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL). 

Informações reveladas no curso da investigação sobre o Banco Master apontam que relatórios preparados por servidores do Banco Central influenciaram a análise da situação da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto. De acordo com reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, documentos elaborados por técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suposta atuação em benefício do controlador do banco, Daniel Vorcaro, ajudaram a afastar, naquele momento, a possibilidade de liquidação do Master.

Em publicação nas redes sociais, Flávio Bolsonaro declarou ter apoiado a instalação de uma investigação parlamentar voltada às condutas de integrantes do STF. “Assinei hoje mais uma CPI para investigar as condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Antes dessa, já havia assinado o pedido de CPI do Banco Master, além de pedidos de impeachment de outros ministros e vou assinar qualquer outro pedido que vise investigar suspeitas de crimes ou irregularidades”, escreveu.

O senador também afirmou que pretende ampliar o escopo das investigações parlamentares. “Informo ainda que vou requerer a ampliação da investigação da CPI, para incluir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, pois o escândalo do Banco Master ocorreu debaixo do nariz deles, com fortes suspeitas de atuação para que as fraudes ocorressem. Toda e qualquer suspeita tem que ser investigada, não importa contra quem seja!”, acrescentou.

Investigações

As suspeitas relacionadas ao Banco Master vieram a público a partir de informações reunidas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações sobre o caso. O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades associadas à instituição financeira.

Segundo as apurações conduzidas pela PF, as práticas sob investigação podem ter provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em situações de quebra ou insolvência de instituições financeiras.

As investigações indicam ainda que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário obteve liberdade provisória mediante a utilização de tornozeleira eletrônica.

A nova determinação de prisão teve como base mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, aparelho apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.

Entre os episódios mencionados nas investigações, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria feito ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e também contra uma empregada doméstica. As apurações indicam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Além disso, segundo a PF, o empresário teria acessado de forma indevida sistemas pertencentes a diferentes instituições. Entre as plataformas citadas pelos investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

Advogados

Em comunicado divulgado por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de forma equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua carreira.

No comunicado, o banqueiro declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Ele acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.

No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o teor das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais enfáticas teriam ocorrido em caráter privado e não tiveram o objetivo de intimidar qualquer pessoa.

O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

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