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Breno Altman: o Irã humilhou Israel

Jornalista afirma que acordo após a guerra redesenhou a correlação de forças no Oriente Médio e aprofundou a crise política de Benjamin Netanyahu

Breno Altman: o Irã humilhou Israel (Foto: Reuters/Ilustração)
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247 - O jornalista Breno Altman avaliou, em entrevista ao programa Bom Dia 247, que o Irã saiu vitorioso do confronto recente com Estados Unidos e Israel, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu enfrenta um cenário de isolamento político e desgaste interno. Segundo ele, o principal derrotado do acordo firmado após a guerra foi o Estado de Israel, que viu seus objetivos estratégicos serem frustrados.

De acordo com Altman, a ofensiva militar iniciada pelos Estados Unidos não alcançou o resultado esperado de provocar uma crise terminal na República Islâmica e abrir caminho para uma mudança de regime em Teerã. Pelo contrário, afirmou, o conflito fortaleceu a unidade nacional iraniana e demonstrou a capacidade do país de responder militarmente aos ataques.

“O Irã revelou resiliência, unidade nacional ao redor da República Islâmica, soube ser capaz de reagir aos ataques norte-americanos e israelenses”, afirmou o jornalista durante a entrevista.

Na avaliação de Altman, a decisão de Donald Trump de aceitar um acordo representou um reconhecimento dos limites da estratégia militar adotada por Washington. Ele argumenta que os custos econômicos da guerra, especialmente a alta dos combustíveis e seus reflexos na popularidade do presidente norte-americano, contribuíram para a busca de uma saída negociada.

O jornalista destacou que o entendimento alcançado preserva pontos considerados centrais para Teerã. Entre eles, a manutenção da República Islâmica, a continuidade do programa nuclear iraniano para fins não militares, a perspectiva de redução de sanções econômicas e o reconhecimento prático da soberania iraniana sobre o estreito de Hormuz.

Para Altman, a situação é particularmente desfavorável para Israel porque os Estados Unidos teriam se afastado, ao menos temporariamente, dos planos defendidos pelo governo Netanyahu. Segundo ele, essa mudança abriu uma crise no interior do chamado campo sionista e ampliou as críticas ao primeiro-ministro israelense.

“O governo Netanyahu é visto como responsável pelo isolamento de Israel, por perdas militares, econômicas e diplomáticas”, afirmou.

O jornalista sustenta que a aceitação do acordo pelos Estados Unidos colocou Netanyahu diante de um dilema político: respeitar os termos estabelecidos ou insistir em sua estratégia regional sem o respaldo público de Washington. Na sua interpretação, esse cenário fortalece a posição iraniana e aprofunda as divisões internas em Israel.

Altman também relacionou o desfecho do conflito a uma mudança mais ampla na percepção sobre o poder norte-americano. Segundo ele, o resultado demonstra que a superioridade militar dos Estados Unidos não garante automaticamente a imposição de seus objetivos políticos.

“O Irã prova que os Estados Unidos são muito poderosos, mas podem ser derrotados”, declarou. Para o jornalista, essa conclusão tem impacto não apenas regional, mas também internacional, ao mostrar que a resistência de um Estado pode alterar cálculos geopolíticos considerados consolidados.

Apesar de considerar o Irã vencedor e Israel derrotado no episódio, Altman ponderou que o acordo não representa uma transformação definitiva do Oriente Médio. Ele classificou o entendimento como um cessar-fogo duradouro e provisório, sujeito às disputas futuras entre os atores envolvidos.

Ainda assim, sua avaliação é de que o conflito produziu uma nova correlação de forças na região, mais favorável a Teerã do que a existente antes da guerra. Nesse contexto, concluiu, Israel enfrenta uma crise política relevante, enquanto o Irã emerge do confronto em posição fortalecida.

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