Breno Altman: "Os EUA têm a dianteira da guerra cibernética"
Jornalista analisa ataques digitais, Venezuela e supremacia militar dos Estados Unidos no cenário geopolítico
247 - O jornalista Breno Altman afirmou que os Estados Unidos ocupam uma posição de liderança global na guerra cibernética e que essa supremacia já foi decisiva em conflitos recentes, incluindo episódios envolvendo o Irã e a Venezuela. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia 247, em meio à análise da atual crise venezuelana e das ações do governo norte-americano no campo militar e tecnológico.
Segundo Altman, os acontecimentos mais recentes reforçam que não houve traição política interna no chavismo, mas sim uma operação sofisticada de guerra cibernética conduzida pelos Estados Unidos, governados por Donald Trump. “Os Estados Unidos têm a dianteira da guerra cibernética”, afirmou o jornalista, ao sustentar que a capacidade norte-americana de neutralizar sistemas defensivos de outros países é um fator central na correlação de forças internacional.
A entrevista foi concedida ao Bom Dia 247, da TV 247, no qual Altman analisou de forma detalhada o cenário geopolítico e militar. Para ele, os eventos ocorridos na Venezuela repetem um padrão já observado em outros conflitos. “Os Estados Unidos já haviam silenciado os radares iranianos na guerra dos 12 dias, quando Israel em poucas horas toma os céus do Irã sem qualquer tipo de reação”, declarou.
Altman explicou que, no caso iraniano, a ausência de resposta imediata das defesas aéreas não foi casual. “Não houve acionamento de baterias antiaéreas contra os aviões israelenses. Os aviões israelenses puderam escolher alvos e atirar. Exatamente porque a guerra cibernética havia silenciado a capacidade defensiva do Irã”, disse. Ele destacou que, embora o Irã tenha conseguido reagir posteriormente com capacidade ofensiva, o episódio evidenciou a vulnerabilidade dos sistemas defensivos diante de ataques digitais avançados.
Ao tratar da Venezuela, o jornalista afirmou que o mesmo mecanismo foi empregado. “Do ponto de vista defensivo, o que nós assistimos no Irã há meses atrás é o que aconteceu na Venezuela agora. Silenciamento da capacidade defensiva pela supremacia norte-americana na guerra cibernética”, afirmou. Para sustentar essa avaliação, Altman citou informações obtidas junto a autoridades venezuelanas, especialistas militares e fontes internacionais.
“Eu tive a oportunidade de conversar com um especialista russo, e perguntei a ele: é possível o silenciamento dos radares, das baterias antiaéreas e dos serviços de comunicação a partir da guerra cibernética? A resposta dele foi taxativa: sim, nós não sabemos ainda fazê-lo, mas é possível”, relatou. Segundo Altman, essa capacidade coloca os Estados Unidos em uma posição singular no sistema internacional.
O jornalista alertou, no entanto, para leituras simplificadas sobre um suposto enfraquecimento irreversível do poder norte-americano. “É verdade que nós vivemos na época histórica da decadência do imperialismo norte-americano, mas isso não significa que os Estados Unidos sejam um tigre velho e desdentado, incapaz de morder”, afirmou. Para ele, apesar de contradições internas e disputas globais, Washington mantém vantagens estratégicas decisivas.
Altman ressaltou que os Estados Unidos continuam sendo “a maior potência militar do planeta” e “a única potência geopolítica global”, justamente por sua capacidade de intervir militarmente em qualquer região do mundo. “Os Estados Unidos possuem o domínio marítimo. Possuem bases militares em todo o planeta e uma capacidade de locomoção militar porque controlam os mares”, explicou.
Na avaliação do jornalista, a supremacia cibernética integra esse conjunto de instrumentos de poder e foi determinante para o ataque à Venezuela. “No caso da Venezuela, nós tivemos essa comprovação da capacidade cibernética norte-americana”, disse. Ele afirmou ainda que relatórios oficiais confirmam essas operações. “Isso já está presente nos relatórios das forças armadas da Venezuela, nos relatórios elaborados pelas forças armadas cubanas, nos relatórios de especialistas russos e em documentação liberada pelos Estados Unidos e pelo Pentágono”, afirmou.
Altman citou inclusive declarações oficiais do próprio governo norte-americano. “O relatório oficial dos Estados Unidos, aquele lido pelo secretário da guerra na entrevista de Trump no dia 3, fala abertamente no silenciamento dos sistemas de radares e na ruptura do sistema de comunicação através da guerra cibernética”, disse.
Para o jornalista, compreender essa dimensão tecnológica é essencial para afastar interpretações baseadas em conspirações internas. “As teses de traição política, de acordo, de golpe interno no chavismo, isso tudo são fantasias”, afirmou. Na sua avaliação, essas narrativas acabam obscurecendo o elemento central do conflito: o uso da superioridade tecnológica e cibernética como instrumento de pressão e intervenção internacional por parte dos Estados Unidos.


