Carlos Minc diz que crime organizado tem tentáculos na Alerj
Ex-ministro e deputado critica influência de grupos criminosos no poder, cobra transparência nas ações policiais e avalia crise no governo Cláudio Castro
247 - O deputado estadual e ex-ministro Carlos Minc afirmou que o Rio de Janeiro atravessa um momento de forte instabilidade política e institucional, marcado, segundo ele, pelo avanço do crime organizado sobre estruturas de poder e pela crise no comando do estado. Em sua avaliação, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro vive um cenário de deterioração política, agravado por suspeitas, disputas internas e pela fragilidade do governo estadual.
As declarações foram feitas ao programa Bom Dia 247, exibido pela TV 247. Durante a entrevista, Minc associou o quadro fluminense à presença de organizações criminosas em espaços centrais do poder e resumiu sua análise em uma frase contundente: "O crime organizado está com as patas e tentáculos dentro da Alerj".
Na entrevista, o parlamentar também tratou da situação do governador Cláudio Castro e afirmou acreditar em um desfecho desfavorável para ele na Justiça Eleitoral. Segundo Minc, o cenário tende a resultar em perda de mandato e inelegibilidade. "O meu placar é 5 a 2 pela cassação e pela inelegibilidade do Cláudio Castro", declarou.
Para o deputado, a possibilidade de renúncia do governador antes da conclusão do processo é concreta. "Ele vai renunciar", afirmou. Na leitura de Minc, a eventual saída do cargo poderia afastar a cassação do mandato, mas não impediria a aplicação da inelegibilidade.
Ao abordar a segurança pública, o ex-ministro voltou a defender o uso obrigatório de câmeras corporais pela Polícia Militar e afirmou que a política enfrenta resistência prática dentro da própria estrutura de comando. Autor da lei sobre o tema, ele relembrou que a proposta levou anos para ser aprovada e enfrentou forte oposição de parlamentares bolsonaristas.
Segundo Minc, o principal problema agora está no descumprimento da legislação. "Eles com a cumplicidade dos seus comandantes desligam as câmeras", disse. Em seguida, citou dados apresentados pelo Ministério Público para reforçar a acusação: "O Ministério Público disse que de todas as requisições de filmes das câmeras dos uniformes, eles só obtiveram 16%".O parlamentar afirmou que pretende cobrar responsabilização não apenas dos agentes que deixam de registrar as operações, mas também dos superiores hierárquicos. "Nós vamos entrar com uma interpelação para responsabilizar não só os soldados, cabos, oficiais que desligam ou alegam que estão sem bateria, como os seus comandantes", declarou. Para ele, a baixa entrega de imagens revela um padrão de conivência e falta de transparência.No mesmo contexto, Minc argumentou que as câmeras corporais são importantes tanto para a proteção de policiais que atuam corretamente quanto para o combate a abusos e à corrupção. "Essas câmeras também detectam corrupção policial, não é só truculência, não", afirmou.
Outro ponto central da entrevista foi a decisão do ministro Luiz Fux que suspendeu trechos de uma lei aprovada na Alerj para regulamentar eventual eleição indireta no estado. Minc disse que o resultado já era esperado e sustentou que a proposta tentava beneficiar nomes ligados ao governo estadual ao prever desincompatibilização em apenas 24 horas.
"Era óbvio que isso ia cair na Justiça", afirmou. Segundo ele, o princípio da igualdade de condições entre os candidatos torna inviável uma regra desse tipo, especialmente quando se trata de ocupantes de cargos no Executivo.
Na avaliação do deputado, a decisão de Fux embaralha a sucessão de um eventual governo-tampão no Rio e atinge tanto os candidatos mais fortes do governo quanto nomes cogitados pela oposição. Por isso, disse que a esquerda e a centro-esquerda passaram a discutir a busca de uma candidatura com maior capacidade de diálogo fora da estrutura partidária tradicional.
"Nós estamos atrás de um Betinho da sociedade civil para ser o nosso candidato", declarou, em referência ao sociólogo Herbert de Souza. Minc afirmou que o campo progressista precisa encontrar um nome que represente o combate à corrupção, ao extermínio e ao obscurantismo.Ele também comentou a decisão que restabeleceu o voto secreto em uma eventual eleição indireta. Embora tenha afirmado que, em tese, defende o voto aberto por uma questão de transparência, reconheceu que, nas circunstâncias atuais, o sigilo pode enfraquecer a pressão do governo sobre sua base parlamentar. "Quem é mais prejudicado com isso é o governo", disse.Na reta final da entrevista ao Bom Dia 247, Minc afirmou que o grupo político ligado ao Palácio Guanabara enfrenta divisões internas, perda de coesão e dificuldades para organizar a própria sucessão. Por isso, segundo ele, o momento exige articulação rápida do campo progressista. "Nós da esquerda e centro-esquerda temos que aproveitar", declarou.Ao relacionar a conjuntura do Rio ao ambiente político nacional, o deputado afirmou que a disputa deste ano será intensa. Ao mencionar Donald Trump, ele se referiu ao presidente dos Estados Unidos como elemento de instabilidade no cenário internacional. Sobre o Brasil, resumiu o desafio eleitoral em tom de alerta: "O Lula vai ganhar, mas não vai ser um passeio, não. Vai ser uma guerra".


