"Deveria haver um boicote à Copa do Mundo", diz Breno Altman
Altman critica contexto internacional do torneio e relaciona evento a tensões geopolíticas atuais
247 - A realização da próxima Copa do Mundo em meio a um cenário de conflitos internacionais intensificados levou o jornalista Breno Altman a defender a possibilidade de boicote ao torneio. Para ele, a participação de seleções em um evento sediado por um país envolvido em confrontos militares levanta questionamentos políticos e éticos que não podem ser ignorados.
A declaração foi feita durante participação no programa Bom Dia 247, no qual Altman avaliou o contexto global e sugeriu que o futebol não está dissociado das disputas geopolíticas. “Deveria haver um boicote à Copa do Mundo”, afirmou, reconhecendo, no entanto, que a medida dificilmente se concretizaria.
Segundo o jornalista, a proposta esbarra na estrutura do futebol internacional, marcada pela autonomia das confederações esportivas em relação aos governos. Ainda assim, ele sustenta que a discussão é legítima diante do cenário atual. “Participar de uma Copa do Mundo num país agressor, num país que declarou guerra nessas condições” deveria ser motivo de debate entre os países, disse.
Altman comparou a situação com decisões anteriores da FIFA, lembrando que a Rússia foi excluída de competições internacionais após o início da guerra na Ucrânia. Para ele, a ausência de medidas semelhantes em outros casos revela um tratamento desigual. A análise sugere que critérios políticos influenciam decisões que, em tese, deveriam seguir padrões universais.
O jornalista também mencionou incertezas envolvendo a participação de seleções em meio ao agravamento das tensões. Ao comentar a situação do Irã, destacou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria indicado não poder garantir a segurança de jogadores iranianos durante o torneio. Para Altman, esse tipo de posicionamento amplia o clima de instabilidade.
A avaliação integra um conjunto mais amplo de críticas ao contexto internacional atual, marcado por conflitos armados e disputas de poder entre grandes potências. Na mesma entrevista, Altman afirmou que a guerra em curso revela uma mudança no equilíbrio global, com países enfrentando diretamente a influência dos Estados Unidos e de seus aliados.
Ao abordar o tema, o jornalista também fez uma reflexão sobre o papel simbólico da Copa do Mundo, tradicionalmente vista como um evento de integração entre nações. Para ele, essa imagem entra em choque com a realidade de um mundo atravessado por guerras e tensões políticas profundas.
Embora reconheça que o boicote é improvável, Altman defende que o debate sobre a legitimidade da competição nesse contexto é necessário. A discussão, segundo ele, ultrapassa o campo esportivo e se insere em uma análise mais ampla sobre a coerência das relações internacionais e o papel de grandes eventos globais em períodos de crise.

