HOME > Esporte

União Europeia pressiona Fifa por segurança na Copa de 2026

Bloco europeu cobra garantias para torcedores diante de tensões globais e critica gestão de Infantino antes do Mundial nos EUA, México e Canadá

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, em 6 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

247 - A União Europeia intensificou a pressão sobre a Fifa ao exigir garantias concretas de segurança para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. A preocupação central envolve a proteção de torcedores europeus que viajarão ao torneio em um cenário internacional marcado por instabilidade e conflitos recentes. As críticas foram feitas pelo comissário europeu para o Esporte, Glenn Micallef, em entrevista ao portal Politico.

Micallef dirigiu críticas diretas à condução do presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmando que o dirigente “precisa fazer um melhor trabalho”. O comissário revelou que já havia solicitado garantias formais durante uma reunião com Infantino, em Bruxelas, no mês anterior, mas não obteve retorno da entidade.

União Europeia cobra respostas da Fifa

A ausência de resposta da Fifa aumentou a insatisfação das autoridades europeias. Micallef destacou que o tema da segurança foi tratado diretamente com o dirigente máximo da entidade, sem avanço concreto. “Pedi que garantisse a segurança daqueles que viajarão para o Mundial. Não houve qualquer tipo de resposta”, afirmou.

Com a proximidade do torneio e o agravamento das tensões geopolíticas, o bloco europeu voltou a insistir na necessidade de medidas claras para assegurar a ordem pública e a proteção dos visitantes. A edição de 2026 será a maior da história, com 48 seleções participantes, incluindo 16 equipes europeias.

Preocupações com segurança nos países-sede

Além do cenário internacional, questões internas dos países anfitriões também elevam o nível de alerta. Nos Estados Unidos, a participação de agentes do serviço de imigração (ICE) no esquema de segurança do evento gera apreensão após episódios recentes de violência.

No México, regiões como Jalisco, que receberão partidas, são monitoradas com atenção devido a problemas de segurança locais. Esses fatores contribuem para a pressão europeia por garantias adicionais.

Fifa diz priorizar segurança, mas críticas persistem

Em resposta às cobranças, a Fifa declarou que a segurança é sua “máxima prioridade” e afirmou confiar na atuação conjunta dos governos dos países-sede para garantir um ambiente seguro durante o Mundial.

Apesar disso, Micallef demonstrou insatisfação com a falta de clareza nas ações da entidade. “Digamos que há espaço para mais clareza”, disse.

Parcerias e questões políticas ampliam tensão

Outro ponto de crítica envolve a aproximação da Fifa com o chamado “Board of Peace for Gaza”, iniciativa apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O projeto prevê investimentos de cerca de 65 milhões de euros em infraestrutura esportiva na região e gerou desconforto entre autoridades europeias. “A Fifa tem muito que explicar sobre isso. Preferiria parcerias com organizações multilaterais como Unesco e Unicef”, afirmou o comissário.

Retorno da Rússia

Micallef também apontou preocupação com a possibilidade de reintegração da Rússia às competições internacionais. Para ele, a participação de países envolvidos em conflitos pode trazer impactos além do campo esportivo. “A participação de países que estão em guerra levanta preocupações legítimas”, declarou.

A soma desses fatores reforça a pressão da União Europeia sobre a Fifa em um momento decisivo de preparação para a Copa do Mundo de 2026, ampliando o debate sobre segurança, governança e responsabilidade internacional no futebol.

Artigos Relacionados