"É absolutamente impossível você ter uma operação dessa dimensão sem a participação do controlador"
Agnelo Queiroz afirma que a operação do BRB com o Banco Master não poderia ter ocorrido sem aval do governo do Distrito Federal
247 - A operação que levou o BRB a comprar carteiras ligadas ao Banco Master não poderia ter sido realizada sem a participação direta do controlador do banco, segundo avaliação do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz. Ao comentar o caso, ele sustentou que uma decisão desse porte não seria tomada de forma isolada pela presidência da instituição financeira.
Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Agnelo afirmou que o episódio do BRB é um dos pontos mais graves dentro do escândalo envolvendo o Banco Master e disse que, no caso do banco público do Distrito Federal, não há como dissociar a operação da estrutura de comando do governo local. Para ele, o centro da decisão não estaria na diretoria do banco, mas no Palácio do Buriti.
Ao longo da entrevista, Agnelo concentrou sua análise na dimensão institucional da operação e na responsabilidade do controlador. Segundo ele, o BRB, por ser um banco estatal com controle do governo do Distrito Federal, não teria margem para realizar uma aquisição bilionária sem consulta e autorização política. “Seria absolutamente impossível você ter uma operação dessa dimensão sem a participação do controlador. Absolutamente impossível”, declarou.
Na avaliação do ex-governador, esse tipo de decisão passa necessariamente pelo comando do governo, inclusive por causa da estrutura formal do banco. Ele lembrou que o conselho de administração e a condução estratégica da instituição estão vinculados ao ente controlador. “Não tenho dúvida nenhuma”, disse, ao ser questionado sobre a possibilidade de a presidência do BRB ter agido sozinha.
Agnelo também afirmou que, pela experiência que teve à frente do governo do Distrito Federal, até operações menores exigiam diálogo com o chefe do Executivo local. Por isso, argumentou que uma negociação envolvendo cifras muito acima do padrão compatível com o porte do banco não poderia ter sido conduzida apenas pela diretoria. “É impossível fazer uma operação desse tamanho”, afirmou.
Em outro trecho da entrevista, ele reforçou que a hipótese mais plausível, em sua visão, não é a de autonomia da direção do banco, mas de pressão vinda do comando político. “O inverso é verdade. Ou seja, eu não tenho dúvida que o controlador forçou a estrutura do banco para poder fazer uma operação dessa dimensão”, declarou. Na sequência, resumiu sua posição de forma direta: “Isso é inequívoco. Isso é absolutamente inequívoco”.
Ao sustentar essa leitura, Agnelo argumentou que o volume da operação foge do parâmetro que seria admissível para o BRB. Segundo ele, um banco com esse perfil poderia assumir investimentos de risco em patamar muito inferior ao montante que acabou sendo negociado. Por isso, disse ver incompatibilidade entre o porte da instituição e a compra das carteiras. “Imagine uma operação que você vai comprar 12 bilhões de crédito de carteira podre, que não vale nada, vale zero, e sem ter um aval”, afirmou.
Para o ex-governador, a estrutura de controle do BRB torna ainda mais evidente a responsabilidade do poder político local. Durante a entrevista, ele foi questionado de forma direta sobre quem seria o controlador do banco nesse caso. A resposta foi objetiva: “É o governador”. Em seguida, reiterou que o comando do Executivo distrital, por deter o controle acionário da instituição, não poderia estar alheio a uma operação com esse alcance.
Agnelo ainda disse que o caso não pode ser tratado como uma decisão técnica isolada ou como uma falha administrativa comum. Segundo ele, a movimentação envolvendo o BRB e o Master teria sido parte de uma articulação maior, já em curso havia algum tempo. Dentro desse raciocínio, ele afirmou que a aquisição de ações do BRB por grupos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro indicaria uma estratégia anterior de aproximação com a estrutura do banco.
Na entrevista, ele afirmou que esse processo vinha sendo construído desde 2024. “Era uma operação planejada que eles tinham como objetivo assumir o controle total do banco”, disse. Em seguida, ampliou a acusação: “É um planejamento de uma quadrilha para assaltar um banco público, quebrar o banco público e assumir o controle do banco”.
Mesmo com essa avaliação mais ampla sobre o caso, Agnelo manteve o foco na tese de que o elemento central da crise é a impossibilidade de dissociar a operação da autoridade política do controlador. Para ele, esse ponto é o que sustenta a necessidade de responsabilização. “Seria impossível alguém, um presidente do banco, assumir uma responsabilidade dessa sozinho. Absolutamente impossível”, afirmou.
Ao final desse trecho da entrevista, Agnelo voltou a dizer que o caso do BRB, dentro do escândalo do Banco Master, expõe uma relação direta entre gestão política e decisão financeira. Na leitura dele, a dimensão da operação impede qualquer interpretação segundo a qual a presidência do banco teria agido por conta própria, sem aval do governo do Distrito Federal.


