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“É essencial que o Brasil seja muito mais proativo na solidariedade a Cuba”, diz Breno Altman

Jornalista afirma que o Brasil pode ampliar ajuda humanitária e política a Cuba mesmo diante de restrições e pressões internacionais

Cuba condena e denuncia a nova escalada do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (Foto: Granma)

247 - A situação de Cuba e o papel do Brasil diante da crise enfrentada pelo país estiveram no centro da análise do jornalista Breno Altman, que defendeu uma postura mais ativa do governo brasileiro no apoio à ilha. Para ele, a solidariedade não deve se limitar a declarações diplomáticas e precisa se traduzir em ações concretas.

As declarações foram feitas por Altman em participação no programa Bom dia 247, da TV 247, ao comentar o cenário cubano, as limitações impostas por sanções internacionais e as possibilidades de atuação do Brasil no campo humanitário, energético e político. 

Três necessidades centrais apontadas por Altman

Segundo Altman, Cuba enfrenta hoje carências objetivas que exigem respostas diretas. “Cuba precisa de três coisas”, afirmou. A primeira, de acordo com o jornalista, é alimento. “Cuba precisa de alimentos”, disse, mencionando que outros países já começaram a enviar ajuda e defendendo que o Brasil organize um fluxo contínuo de apoio.

O segundo ponto destacado foi a questão energética. “Cuba precisa de petróleo”, afirmou Altman, lembrando que o Brasil é produtor e que a demanda cubana é limitada. Para ele, esse fator torna viável uma política de apoio, desde que haja decisão política.

O terceiro eixo, segundo o jornalista, é o diplomático. “Cuba precisa de um firme apoio político e diplomático”, disse, reconhecendo que o governo brasileiro atua nesse campo, mas avaliando que a intensidade ainda é insuficiente diante da gravidade da situação.

Obstáculos políticos e econômicos à ajuda brasileira

Altman reconheceu que existem entraves relevantes para ampliar esse apoio, especialmente no fornecimento de petróleo. “Há uma ordem executiva assinada por Donald Trump falando em sanções a países que forneçam petróleo a Cuba”, afirmou, ressaltando que medidas desse tipo poderiam atingir empresas brasileiras.

Ainda assim, ele defendeu que existem alternativas. “Há como driblar isso ou, pelo menos, tentar driblar”, disse, citando a possibilidade de operações indiretas envolvendo outros países. O jornalista também mencionou limitações legais relacionadas a créditos financeiros, explicando que “novos créditos não podem ser abertos para Cuba” em razão de pendências anteriores.

Diante dessas restrições, Altman enfatizou que o caminho humanitário permanece aberto. “A legislação brasileira permite instrumentos de ajuda humanitária internacional”, afirmou, defendendo o uso e a ampliação dessa rubrica para atender a emergência cubana.

Solidariedade como eixo da política externa

Na avaliação de Altman, a solidariedade a Cuba não é apenas uma questão humanitária, mas também política e histórica. “É necessário, por razões políticas, humanitárias e históricas, que o Brasil dê exemplo na solidariedade a Cuba”, declarou. Ele lembrou que o país caribenho teve papel relevante em momentos difíceis da história brasileira.

O jornalista também associou o tema à disputa geopolítica global. “A solidariedade a Cuba é uma batalha exemplar para quem defende um mundo multipolar”, afirmou. Segundo ele, permitir o isolamento e o enfraquecimento do país significaria aceitar a imposição de uma ordem internacional dominada por uma única potência.

Ao concluir, Altman defendeu que o Brasil assuma uma postura mais ativa e visível. “O mundo multipolar não se constrói com discursos, mas na prática”, disse, ao sustentar que a atuação brasileira em relação a Cuba será um indicativo concreto da orientação de sua política externa.

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