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‘Essa eleição vai decidir a continuidade da democracia brasileira’, afirma Vinícius Casalino

Jurista defende reeleição de Lula, cobra continuidade de políticas sociais e avalia crise de Flávio Bolsonaro

Vinícius Casalino, Lula e um ato pela democracia (Foto: Reprodução/TV247 I Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O jurista Vinícius Casalino defendeu a reeleição do presidente Lula e afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que um novo mandato do petista deve manter medidas econômicas e sociais em curso, como renegociação de dívidas, ampliação de investimentos públicos e fortalecimento de direitos sociais.

Na entrevista à TV 247, Casalino disse que a eleição presidencial deste ano vai decidir “a continuidade da democracia brasileira”. “Lula tem que continuar com as medidas” caso seja reeleito, afirmou. Para o jurista, o governo precisa dar sequência às ações que, segundo ele, “estão produzindo efeitos”.

O estudioso também chamou atenção para a necessidade de articulação entre partidos do campo progressista. “O Congresso, se continuar do que jeito que está, vai ser conservador. Os próximos quatro anos têm que ser continuação da campanha eleitoral”, acrescentou.

Flávio Bolsonaro, escândalo do Master e alerta de golpe

Durante a entrevista, o jurista avaliou os efeitos dos escândalos envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse sobre a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar negociou com Daniel Vorcaro, dono do Master, um financiamento de R$ 134 milhões para o longa sobre Jair Bolsonaro. Desse total, R$ 61 milhões foram repassados.

Ao comentar a situação de Flávio Bolsonaro, o jurista afirmou que os novos episódios ligados ao Banco Master e ao filme Dark Horse colocaram a pré-candidatura do senador em uma “situação difícil”. Segundo Casalino, o caso expôs inicialmente uma “incapacidade de reação” de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, ele afirmou que o bolsonarismo mantém uma “base sólida para continuar” na busca por um nome competitivo para a disputa presidencial.

O jurista também analisou a força política da extrema direita. Ao tratar do campo bolsonarista, disse que o “movimento golpista do empresariado e da direita estão em pleno vigor”. “Se Lula não tivesse vencido (eleição de 2022), o golpe teria acontecido”, afirmou Casalino.

Medidas do governo

O governo Lula anunciou ao longo deste ano um conjunto de medidas voltadas a crédito, mobilidade, renegociação de dívidas, habitação e assistência social, com R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo comprarem carros novos, R$ 21,2 bilhões para renovação de frota pelo BNDES, R$ 20 bilhões extras para o Minha Casa, Minha Vida e previsão de atender 15 milhões de famílias com o Gás do Povo. 

Uma das iniciativas recentes é a Medida Provisória assinada por Lula em 19 de maio, que cria crédito de até R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem veículos novos com juros mais baixos. Outra proposta foi o novo Desenrola Brasil. A medida provisória apresentada em 4 de maio cria uma etapa de renegociação de dívidas para pessoas com renda de até cinco salários mínimos, hoje R$ 8.105. O programa permitirá a negociação de débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A iniciativa mira consumidores endividados e busca reorganizar compromissos financeiros de famílias de menor renda.

Em 30 de abril, Lula também anunciou a ampliação do Move Brasil no Planalto. A nova fase incluiu ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias, além dos caminhões que já faziam parte da linha anterior. O BNDES ficará responsável por operar a linha BNDES Renovação de Frota. O orçamento total será de R$ 21,2 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões em recursos adicionais do banco. 

Na área habitacional, o governo federal anunciou em abril a ampliação de R$ 20 bilhões em recursos do Fundo Social para o Minha Casa, Minha Vida. Em fevereiro, Lula sancionou a Lei nº 15.348, que criou o Gás do Povo, que garante recarga gratuita do botijão de gás de cozinha de 13 quilos para famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo. A previsão do governo indica funcionamento pleno em março, com 15 milhões de famílias contempladas, cerca de 50 milhões de pessoas.

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