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Lula espera gesto de Alcolumbre para reduzir tensão após Senado rejeitar Messias para o STF

Aliados dizem que Lula espera convite do presidente do Senado para uma conversa reservada ou uma sinalização política em votações importantes

Lula, Davi Alcolumbre, Congresso e Planalto, em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Carlos Moura/Ag. Senado I Reprodução (247/IA))
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aguarda um gesto político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para retomar plenamente o diálogo entre os dois após a crise provocada pela rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

Segundo o jornal O Globo, aliados do presidente avaliam que Lula espera um convite de Alcolumbre para uma conversa reservada ou uma sinalização política em votações importantes no Senado. Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o Palácio do Planalto busca reduzir a tensão institucional após a derrota histórica do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU).

A rejeição de Jorge Messias representou um episódio sem precedentes na história recente do STF. O advogado-geral da União recebeu 34 votos no Senado, abaixo dos 41 necessários para aprovação. Foi a primeira vez, em 132 anos, que um indicado à Corte foi rejeitado pelos senadores.

Lula evita retaliação e mantém espaços de Alcolumbre

Apesar do desgaste político, Lula tem afirmado a interlocutores que deseja manter uma relação “institucional e respeitosa” com Alcolumbre. O presidente também destacou que não promoveu retaliações ao senador após a derrota de Messias.

Alcolumbre mantém influência sobre áreas importantes do governo federal. O senador é apontado como responsável pela indicação dos ministros Waldez Góes, da Integração Nacional, e Frederico Siqueira Filho, das Comunicações. Além disso, possui influência em cargos no Banco do Brasil, Correios, Telebras e Codevasf.

Ainda assim, pessoas próximas ao presidente afirmam que Lula continua incomodado com a derrota no Senado. Segundo relatos, o petista teria dito a aliados que o episódio foi tão doloroso para ele quanto para Jorge Messias.

Interlocutores atuam para reduzir tensão

Após a crise, integrantes do governo e aliados de Alcolumbre iniciaram uma articulação para diminuir os ruídos entre os dois lados. Entre os nomes envolvidos nas conversas estão os ministros José Múcio, da Defesa, e José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais.

Nos bastidores, governistas avaliam que votações consensuais no Congresso podem ajudar na reconstrução da relação entre Planalto e Senado. A derrubada de vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ocorrida nesta quinta-feira, foi interpretada como um gesto de acomodação política.  

Segundo interlocutores, o governo decidiu liberar sua bancada na votação como forma de sinalizar disposição para reduzir a tensão com Alcolumbre.

Votação no Congresso é vista como gesto político

A pauta da derrubada dos vetos era considerada prioritária pelo presidente do Senado, sobretudo pela repercussão junto aos prefeitos presentes na Marcha Nacional dos Prefeitos, em Brasília. Um aliado de Alcolumbre afirmou que houve entendimento entre lideranças para evitar que a votação fosse interpretada como uma derrota direta para o governo Lula.

O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) afirmou que a votação teve peso político importante para o momento de distensão. “É uma sinalização ao Alcolumbre, em termos de pacificação, e também é uma sinalização aos prefeitos, da Marcha Nacional dos Prefeitos. Tinha pelo menos um veto ali muito importante para eles. Esse é, sem sombra de dúvida, o jogo eleitoral falando mais alto no dia de hoje”, declarou.

Lula e Alcolumbre mantêm contatos reservados

Nos bastidores do governo, há avaliação de que Alcolumbre atuou politicamente para inviabilizar a aprovação de Jorge Messias no Senado. O parlamentar, no entanto, nega qualquer articulação contra o indicado de Lula ao STF.

Aliados do senador afirmam que ele sempre manifestou preferência pelo nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas sustentam que a derrota ocorreu por falhas na articulação política do próprio governo.

Desde a rejeição de Messias, Lula e Alcolumbre tiveram dois encontros públicos. O mais recente ocorreu antes da posse de Odair Cunha no Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo relatos, os dois conversaram reservadamente por cerca de dez minutos em clima considerado tranquilo.

O primeiro encontro aconteceu durante a cerimônia de posse da nova presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ocasião, os dois trocaram cumprimentos rápidos antes da solenidade, mas permaneceram sem diálogo durante o evento, mesmo sentados lado a lado.

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